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por Stephen Jay Gould, maio de 1981.

Kirtley Mather, que morreu nonagenário, no ano passado, era um pilar, tanto da ciência como da fé cristã, e um de meus mais queridos amigos. A diferença de meio século entre nossas idades desapareceu ante os interesses que tínhamos em comum. A coisa mais curiosa que partilhamos foi a batalha que ambos travamos com a mesma idade. Kirtley fora ao Tennessee com Clarence Darrow, para depor a favor da evolução, no processo Scopes de 1925. Quando penso que novamente estamos engajados nessa mesma luta, em prol de um dos mais bem documentados, convincentes e excitantes conceitos de toda a ciência, não sei se devo rir ou chorar.

De acordo com os princípios ideais do discurso científico, o despertar de temas adormecidos deveria corresponder à emergência de novos dados que possibilitassem insuflar vida nova em noções abandonadas. Assim sendo, aqueles que não participam diretamente do atual debate têm motivo para acreditar que os criacionistas trouxeram algo de novo para a contenda, ou que os evolucionistas apresentaram problemas sérios em seu meio. Mas nada mudou: os criacionistas não contribuíram com um só novo fato ou argumento. Darrow e Bryan pelo menos eram mais interessantes do que nós, os antagonistas menores de hoje. O ressurgimento do criacionismo é pura e simplesmente político; espelha um dos temas (e não a maior preocupação) da ressurgente direita evangélica. Argumentos que pareciam tolos uma há uma década voltaram a ser debatidos.

O principal ataque dos criacionistas modernos incide em duas imputações genéricas, antes mesmo de se chegar à apreciação de seus supostos detalhes factuais, nessa investida contra a evolução. Primeiramente, eles se aproveitam do mal-entendido vernacular da palavra "teoria", para transmitir a falsa impressão de que nós, os evolucionistas, estamos encobrindo o cerne apodrecido de nosso edifício. Em segundo lugar, eles abusam de um filosofia popular da ciência, para argumentar que se estão conduzindo cientificamente, ao atacar a evolução. No entanto, essa própria conceituação demonstra que sua crença não é ciência e "criacionismo científico" não passa de uma expressão sem significado que se contradiz, um exemplo do que Orwell chamou de "novofalar".

No vernáculo americano, "teoria" freqüentemente significa "fato imperfeito" - integrante da escala decrescente de confiabilidade que, a partir do fato, desce para a teoria, e desta para a hipótese e adivinhação. Dessa maneira, os criacionistas podem (e efetivamente o fazem) argumentar: a evolução é "apenas" uma teoria, e está ocorrendo um intenso debate sobre muitos aspectos dessa teoria. Se a evolução não chega a ser um fato e os cientistas nem ao menos se põem de acordo sobre essa teoria, então que espécie de confiança pode ela inspirar? O presidente Reagan disse (o que piamente espero seja apenas retórica eleitoral): "Bem, é uma teoria. É só uma teoria científica e tem sido contestada no meio científico, nos últimos muitos anos, ou seja, não é tida como infalível pela comunidade científica, como, foi uma vez".

Bem, a evolução é uma teoria. Mas também é um fato. E fatos e teorias são coisa diferentes, e não estágios de hierarquia de certeza crescente. Fatos são dados do mundo. E teorias são as estruturas de idéias que explicam e interpretam os fatos. Os fatos não desaparecem enquanto os cientistas debatem teorias rivais que tentam explicá-los. A teoria gravitacional de Einstein substituiu a de Newton, mas as maçãs não ficaram pairando no ar, à espera da definição. E os seres humanos evoluíram a partir de ancestrais parecidos com símios, quer através do mecanismo proposto por Darwin, quer através de qualquer outro ainda por descobrir.

Ademais "fato" não quer dizer "certeza absoluta". Em lógica e matemática, as provas finais fluem dedutivamente de premissas estabelecidas, e essas provas só são válidas porque não dizem respeito ao mundo empírico. Os evolucionistas não reivindicam para si a perpétua verdade, embora os criacionistas freqüentemente o façam (e nos ataquem por pretensamente adotarmos um tipo de argumento usado por eles). Em ciência, "fato" só pode significar "confirmado a tal ponto que seria perverso suprir uma concordância provisória com ele". Eu suponho que as maçãs podem começar a subir amanhã, mas essa possibilidade não merece tempo igual nas aulas de física.

Os evolucionistas foram claros a respeito da diferença entre fato e teoria, desde o começo; se por mais não fosse, só porque sempre admitimos quão longe estamos de completo entendimento da mecânica (teoria) pela qual a evolução (fato) ocorreu. Darwin continuamente enfatizou a diferença entre suas grandes e distintas realizações: o estabelecimento do fato da evolução e a proposta de uma teoria - a seleção natural - para explicar o mecanismo da evolução. Ele escreveu em The Descent of Man: "Eu tinha dois objetivos em vista; primeiramente, mostrar que as espécies não foram criadas separadamente e, em segundo lugar, que a seleção natural tem sido o agente principal da mudança. (...) Assim, se errei ao ter exagerado o seu poder (da seleção natural) (...) pelo menos, como espero, prestei um bom serviço ao ajudar a derrubar o dogma das criações separadas".

Assim, Darwin reconheceu a condição provisória da seleção natural, ao mesmo tempo que reafirmava a evolução como fato. O frutífero debate teórico que Darwin iniciou nunca cessou. Dos anos 40 até o final da década de 60, a teoria de Darwin sobre a seleção natural conquistou um hegemonia temporária, jamais alcançada durante sua vida. Mas um renovado debate caracteriza nossa década e, embora nenhum biólogo questione a importância da seleção natural, muitos agora duvidam de sua ubiqüidade. Em especial, muitos evolucionistas alegam que um número substancial de mudanças genéticas pode não estar sujeito à seleção natural, disseminando-se pelas populações ao acaso. Outros questionam a ligação, feita por Darwin, entre a seleção natural e a mudança gradual e imperceptível, passando por todos os estágios imperceptíveis; alegam que a maioria dos eventos evolutivos pode ocorrer muito mais rapidamente que Darwin previu.

Os cientistas encaram o debate sobre os temas fundamentalistas de uma teoria como sinal de pujança intelectual e fonte de excitação. A ciência é - e como poderia dizê-lo de forma diferente? - mais divertida, quando joga com idéias interessantes, examina suas implicações e conclui que uma antiga informação pode ser explicada de uma maneira surpreendentemente nova. A teoria evolucionistas goza desse incomum vigor, no presente momento. No entanto, em meio a esse alvoroço, nenhum biólogo foi levado a duvidar de que a evolução ocorreu. Estamos todos tentando explicar a mesma coisa: a árvore da descendência evolutiva, que liga todos os organismos pelos laços de genealogia. Os criacionistas pervertem esse debate e o tornam caricato, quando convenientemente menosprezam a convicção comum a ele subjacente e falsamente sugerem que nós agora colocamos em dúvida o próprio fenômeno que nos esforçamos para entender.

Em segundo lugar, os criacionistas alegam que "o dogma das criações separadas, como Darwin há um século o caracterizou, é uma teoria científica que merece tempo igual ao dedicado à evolução, no currículo de biologia das escolas de segundo grau. Mas os filósofos da ciência negam essa reivindicação criacionista. O filósofo Karl Popper há décadas vem argumentando que o principal critério da ciência é a falsidade de suas teorias. Não podemos jamais provar de forma absoluta, mas podemos falsificar. Um conjunto de idéias que em princípio não possa ser falsificado não constitui ciência.

O programa criacionista inteiro inclui pouco mais do que tentativa retórica de falsificar a evolução, ao apresentar supostas contradições entre seus partidários. Sua espécie de criacionismo, alegam eles, é "científica", porque segue o modelo popperiano, ao procurar demolir a evolução. No entanto, o argumento de Popper é aplicável em ambas as direções. Uma pessoa não se torna cientista só pelo fato de tentar falsificar um sistema rival e verdadeiramente científico; é necessário que apresenta um sistema alternativo que também esteja de acordo com o critério de Popper - e esse sistema, em princípio, também deve poder ser falsificado.

"Criacionismo científico" é um nome sem sentido, que se contradiz precisamente porque expressa algo que não pode ser falsificado. Posso imaginar observações e experimentos que refutariam qualquer teoria evolutiva que conheço, mas não posso conceber quais os dados potenciais que levariam os criacionistas a abandonar seu credo. Sistemas inelutáveis são dogmas, e não ciência. Para que eu não pareça duro e retórico, transcrevo um trecho do principal pensador criacionista, Duane Gish, Ph.D., um seu recente (1978) livro Evolution? The Fossils Say No!: "Por criação queremos dizer a condução à vida, por um criador sobrenatural, das espécies básicas de plantas e animais, pelo repentino processo de criação, ou fiat. Não sabemos como o Criador criou, que processos usou, pois Ele usou processos que não estão agora em operação, em lugar do universo natural (os grifos são de Gish). É por isso que nos referimos à criação como especial. Não podemos descobrir, através de investigações científicas, algo sobre o processo criativo utilizado pelo Criador". À luz da sua senteça acima, Dr. Gish, queira ter a bondade de esclarecer o que então é o criacionismo "científico".

Nossa confiança de que a evolução aconteceu baseia-se em três argumentos de ordem geral. Primeiramente, temos evidência observável abundante e direta da evolução em atividade, oriunda tanto do campo como do laboratório. Essa evidência vai desde as incontáveis experiências de mudança de quase tudo nas moscas-das-frutas submetidas à seleção artificial de laboratório, até as famosas populações de mariposas britânicas que se tornaram escuras quando fuligem industrial enegreceu as árvores nas quais pousavam. (As mariposas, ao confudirem-se com paisagem circuncidante, adquirem proteção em relação aos pássaros predadores, de visão aguçada.) Os criacionistas não negam essas observações; como poderiam? Os criacionistas restringiram sua reivindicação. Alegam, agora, que Deus só criou as espécies básicas e permitiu que ocorressem limitados desvios evolutivos em seu interior. Assim, os poodles anões e os dinamarqueses originaram-se da espécie canina básica, e as mariposas podem mudar de cor, mas a natureza não pode transformar um cachorro num gato e uma macaco num homem.

O segundo e o terceiro argumentos favoráveis à evolução - o pleito em prol das grandes mudanças - não envolvem observações diretas da evolução em atividade. Baseiam-se na inferência, mas não são menos sólidos só por isso. As grandes mudanças evolutivas requerem tempo demais para a sua observação direta, na escala do registro da história humana. Todas as ciências históricas baseiam-se na inferência, e nesse aspecto a evolução não é diferente da geologia, da cosmologia ou da história dos humanos. Por princípio, não podemos observar processos que aconteceram no passado. Devemos inferi-los dos resultados que ainda nos rodeiam: organismos vivos e fósseis, para a evolução; documentos e artefatos, para a história humana; camadas e topografia, para a geologia.

O segundo argumento - o que a imperfeição da natureza revela evolução - parece irônico a muita gente, porque acha que a evolução deveria mostrar-se o mais elegante possível, como nas quase perfeitas adaptações expressas em alguns organismos - o arqueamento das asas das gaivotas ou as borboletas que não podem ser vistas do chão porque imitam com perfeição as folhas secas caídas no solo. Mas a perfeição poderia ter sido imposta por um criador sábio ou desenvolvida pela seleção natural. A perfeição encobre as pegadas da história do que passou. E a história do que passou - a evidência da descendência - é o que marca a evolução.

A evolução se mostra nas imperfeições que registram a história da descendência. Por que um rato deve correr; um morcego, voar; um boto, nadar; e eu datilografar este ensaio usando estruturas formadas pelos mesmos ossos, a não ser pelo fato de os termos herdado de um ancestral comum? Um engenheiro, partindo do nada, poderia projetar membros mais perfeitos para cada um dos casos. Por que todos os grandes mamíferos da Austrália devem ser marsupiais, a não ser por descenderem de um ancestral comum, isolado naquela ilha-continente? Os marsupiais não são "melhores", ou idealmente adequados, para a Austrália; muitos foram exterminados pelos mamíferos placentários, importados pelos humanos de outros continentes. Esse princípio da imperfeição estende-se por todas as ciências históricas. Quando estudamos a etimologia das palavras setembro, outubro, novembro e dezembro (sétimo, oitavo, nono e décimo) deduzimos que o ano antes começava em março, ou que dois meses devem ter sido acrescentados aos dez do calendário original.

O terceiro argumento é mais direto: transições são freqüentemente encontradas no registro fóssil. As transições não são comuns - nem deveriam ser, de acordo com o nosso entendimento da evolução - e também não são inteiramente inexistente, conforme alegam os criacionistas. O maxilar inferior dos répteis é formado por vários ossos, e o dos mamíferos apenas por um. Os ossos do maxilar inferior dos não-mamíferos foram reduzindo-se pouco a pouco, até se tornarem pequenos vestígios atrofiados, localizados na parte posterior da mandíbula dos mamíferos ancestrais. O martelo e a bigorna do ouvido dos mamíferos descendem dessas atrofias. "Como se processou uma transição como essa?", os criacionistas perguntam. Por certo, um osso ou está na mandíbula ou encontra-se no ouvido. No entanto, os paleontólogos descobriram duas linhagens de transição entre terápsidos (ou assim chamados répteis que parecem mamíferos) com dupla articulação maxilar - uma delas formada pelos antigos ossos quadrático e articular (que logo se transformariam em martelo e bigorna) e a outra formada pelos ossos esquamosais e dentários (como nos mamíferos modernos). Nesse aspecto, que melhor exemplo de transição poderíamos encontrar do que o mais antigo humano, o Australiopithecus afarensis, com seu palato simiesco, sua postura humana ereta e sua capacidade craniana maior do que a de qualquer símio do mesmo tamanho de corpo, mas mesmo assim com mil centímetros cúbicos a menos do que a nossa? Se Deus fez cada uma das seis espécies descobertas nas antigas rochas, por que as criou numa seqüência temporal ininterrupta de traços progressivamente mais modernos - capacidade craniana crescente, faces e dentes reduzidos e um tamanho de corpo maior? Será que ele criou imitando a evolução, só para testar nossa fé?

Confrontados com esses fatos evolutivos e com a bancarrota filosófica do seu posicionamento, os criacionistas valem-se de distorções e insinuações para escorar sua reivindicação retórica. Se aparento rispidez e amargor, espelho a realidade - pois me tornei um dos principais alvos de seus ataques.

Incluo-me entre os evolucionistas que advogam mudanças espasmódicas ou episódicas, preferencialmente a um ritmo suave e gradual. Em 1972, meu colega Niles Eldredge e eu desenvolvemos a teoria dos equilíbrios pontuados. Propúnhamos que dois relevantes fatos do registro de fósseis - a geologicamente repentina origem de novas espécies e sua incapacidade de mudar daí em diante (estase) - refletem predições da teoria evolucionista, e não imperfeição dos fósseis. Em muitas teorias, pequenas e isoladas populações são a origem de novas espécies, e o processo de especiação leva milhares ou dezenas de milhares de anos. Esse espaço de tempo tão longo, se comparado com o de nossas vidas, é um microssegundo geológico. Representa bem menos de um por cento da vida média de uma espécie vertebrada fóssil - superior a 10 milhões de anos. Por outro lado, não se espera que espécies numerosas, bem espalhadas e estabelecidas mudem muito. Acreditamos que a inércia das grandes populações explique a estase da maioria das espécies por tem superior a milhões de anos.

Propusemos a teoria do equilíbrio pontuado em grande parte para fornecer uma explicação para as tendências difundidas no registro fóssil. As tendências, argumentávamos, não podem ser atribuídas à gradual transformação no seio das linhagens, mas devem surgir do sucesso diferenciado de certo tipo de espécie. Uma tendência, propúnhamos, é mais como subir os degraus de uma escada (interrupções e estases) de que deslizar por um plano inclinado.

Desde que propusemos o equilíbrio pontuado como explicação para as tendências, é enfurecedor sermos mencionados pelos criacionistas - por malícia ou estupidez - como admitindo que o registro fóssil não contém formas de transição. As formas transitórias geralmente não existem no nível das espécies, mas são abundantes entre os grupos mais amplos. No entanto, um panfleto intitulado "Cientista de Harvard concorda que a evolução é um logro" afirma: "Os fatos do equilíbrio pontuado, que Gould e Eldredge (...) estão obrigando os darwinianos a engolir é um quadro adequado, no qual Bryan tanto insistiu e que a nós foi revelado por Deus na Bíblia".

Em prosseguimento a essa distorção, vários criacionistas igualaram a teoria do equilíbrio pontuado a uma caricatura do que acreditava Richard Goldschimdt, um dos primeiros grandes geneticistas. Goldschmidt, defendeu, num famoso livro publicado em 1940, que novos grupos podem surgir repentinamente, através de grandes mudanças. Ele se referia a essas criaturas subitamente transformadas como "monstros prestativos". (Tenho simpatia por certos aspectos de sua versão não caricata, mas ainda assim a teoria de Goldschmidt nada tem a ver com o equilíbrio pontuado.) O criacionista Luther Sunderland até fala da "teoria dos monstros prestativos do equilíbrio pontuado" e informa a seus possíveis leitores que "resulta numa admissão tácita de que os antievolucionistas estão certos ao afirmarem que não existe evidência fóssil na qual a teoria de que toda a vida se liga a um ancestral comum possa basear-se". Duane Gish escreve: "De acordo com Goldschmidt e agora, aparentemente, com Gould, um réptil botou um ovo, do qual o primeiro pássaro, com penas e tudo, foi produzido". Qualquer evolucionista que acreditasse numa besteira como essa seria devidamente expulso do cenário intelectual pelas gargalhadas de seus colegas; no entanto, a única teoria que jamais poderia imaginar tal enredo para o surgimento do pássaro é o criacionismo - com Deus atuando no ovo.

Estou ao mesmo tempo zangado e divertindo-me com os criacionistas; mas, acima de tudo, profundamente triste. Triste por muitas razões. Triste porque muitos dos que acatam os apelos estão perturbados pelo motivo certo, mas desabafam sua frustração no alvo errado. É verdade que os cientistas têm com freqüência sido dogmáticos e elitistas. Também é verdadeiro que freqüentemente admitimos ser representados pela imagem publicitária dos "cientistas dizem que a marca "X" cura joanetes dez vezes mais rápidos do que...". Não lutamos adequadamente contra isso, porque tiramos proveito em aparecer como integrantes de um novo sacerdócio. Como é verdade também que o poder burocrático e impessoal do Estado invade cada vez mais nossas vidas, eliminando escolhas que deveriam pertencer aos indivíduos e às comunidades. Compreendo que currículos escolares impostos de cima e sem a contribuição local podem ser vistos como mais uma agressão. Mas a culpa não é, nem poderia ser, da evolução ou de qualquer outro fato natural do mundo. Identifique e combata por todos os meios seus verdadeiros inimigos, mas nós não estamos entre eles.

Estou triste porque o resultado final dessa zoeira não será um extensão curricular que inclua o criacionismo (o que também me entristeceria), mas a redução ou retirada da evolução dos currículos das escolas de segundo grau. A evolução é uma entre a meia dúzia de "grandes idéias" desenvolvidas pela ciência. Trata do profundo tema da genealogia que nos fascina a todos - o fenômenos das raízes em sua amplitude. De onde viemos? De onde surgiu a vida? Como se desenvolveu? Como se relacionam os organismos? Força-nos a pensar, ponderar e cogitar. Devemos privar milhões de seres desse conhecimento e voltar a ensinar biologia como um conjunto de fatos não relacionados, sem o fia que cose os diversos tecidos para formar uma unidade maleável?

Mas, acima de tudo, estou entristecido por uma tendência que apenas começo a discernir entre meus colegas. Sinto que alguns deles desejam abafar o saudável debate sobre a teoria que trouxe nova vida para a biologia evolutiva. Isso só fornece grão para os moinhos criacionistas, dizem eles, nem que seja só por distorção. Talvez devamos fazer-nos de mortos e juntar-nos em torno da bandeira do darwinismo estrito, pelo menos por agora - uma espécie de religião saudosista de nossa parte.

Mas devemos valer-nos de outra metáfora e reconhecer que temos de trilhar uma estreita e retilínea senda, cercada pelos caminhos da perdição. Pois se jamais começarmos a refrear nossa procura do entendimento da natureza, a extinguir nossa excitação intelectual, num esforço mal direcionado para aparentar uma frente unida que não existe nem deve existir, então estaremos verdadeiramente perdidos.

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Publicado em Hen's Teeth and Horse's Toes.
Original em inglês: Evolution as Fact and Theory
Modificado da tradução em Darwin's Home Page

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Comentário de Elyson Scafati em 28 fevereiro 2012 às 20:50

Uma das coisas que os criacionistas afirmam em demasia e que microevolução ocorre e macroevolução não ocorre, embora ambas sejam a mesma coisa, porém, em escalas de tempo distintas.

É fato que os exemplos que temos para demonstrar a TE são relacionados à microevolução (esgana gatas, lebistes, escherichia, tentilhões, mariposas, rana pipiens, podarcis cicula, as salamandras americanas).

Agora, exemplos como os tetrápodas, aves, cavalos, baleias, elefantes e humanos, somente obtemos pelo registro fóssil.

Quanto ao parentesco entre espécies hoje existentes (aves e crocodilianos, humanos e chimpanzes) somente conseguimos pela biologia molecular.

Sei que os biólogos usam muito a anatomia comparada entre fósseis e espécies vivas e entre estas para traçar uma possível linha de parentesco.

Os "crias" negam essas hipóteses que fundamentam a teoria evolutiva veementemente, dizendo que uma espécie não se torna em outra (cometendo aqueles erros esdrúxolos como dizer que lobos não viram baleias e que amebas não viram camelos), como exemplo, a partir de um tetrápoda que saiu da água ( um peixe que era o tiktaalik) poder se irradiar em anfíbios e a partir destes répteis e destes aves e mamíferos e toda a diversidade que existe dentro destes grupos.

Sei que o caso dos esgana gatas e dos tentilhões são casos de especiação, mas como alegam os "crias", eles continuam peixes e tentilhões e podem mesmo sequer se reconhecerem como parceiros sexuais.

Como o caso das baleias, vemos sim a evolução em curso, mas temos fósseis que sofreram mudanças profundas de um para outro, o que até anima nos "crias requentados" (proponentes do DI) um mecanismo "deus das lacunas".

São perguntas difíceis que que quero fazer, contudo, não sei se as farei corretamente, mas vamos lá:

Nós podemos extrapolar com segurança o caso de uma especiação como ocorre com os tetrápodes e os demais exemplos evolutivos como a evolução dos cavalos e das baleias?

Seriam as evidências paleontológicas e moleculares seguras para sustentar esta extrapolação?

Quando falamos de um ancestral comum, como entre hipopótamos e baleias, como se daria essa separação? Seria por algum tipo de isolamento geográfico ou reprodutivo?

Seriam apenas as mutações (acho que um processo muito lento, mas não estou certo disso) aliadas a uma seleção natural as responsáveis pela especiação?

Por favor, respondam

Grato pela atenção.

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