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Postado por Rodrigo Véras em 9 maio 2012 às 16:48 0 Comentários 0 Curtiram isto
A pergunta "Estamos sós no Universo?" vem nos assombrando, pelo menos, desde que pudemos contemplar as incríveis dimensões de nossa própria galáxia e tornou-se ainda mais angustiante ao percebemos que a Via Láctea é apenas uma entre centenas de bilhões existentes no nosso universo conhecido. Mas embora quando muitos pensam em vida alienígena ou novas formas de vida tenham em mente algum tipo de civilização tecnologicamente avançada e, de alguma forma, semelhante a nossa, a maioria dos cientistas interessados que dedicam-se sua vida a questão têm objetivos bem mais modestos (excetuando os ligados ao programa SETI), como identificar microrganismos ou sistemas autorreplicantes ainda mais simples e que sejam realmente diferentes dos que conhecemos aqui na Terra. Para isso, entretanto, precisamos ter uma certa ideia do que esperar, o que demanda certo exercício de imaginação e de abstração das propriedades dos sistemas vivos com os quais estamos acostumados para que não nos fechemos em um paroquialismo exagerado, procurando apenas por sistemas biológicos muito parecidos com o que estamos acostumados. Além disso termos uma ideia de como a vida pode surgir e não apenas de como ela surgiu aqui, também nos pouparia de alguns embaraços.
Segundo Gerald F. Joyce, em um artigo ensaístico “Bit by Bit: The Darwinian Basis of Life” public…
ContinuarPostado por Rodrigo Véras em 1 maio 2012 às 15:30 2 Comentários 0 Curtiram isto
Um grande estudo colaborativo internacional (parte do “Human Life-History Project”) aproveitou-se dos
vastos registros documentais existentes na Finlândia, cobrindo um período de quase 100 anos e envolvendo quase 6000 pessoas, para investigar informações demográficas, culturais e tecnológicas que pudessem influenciar os parâmetros que afetaram a seleção sexual e natural em nossa espécie em tempos bem recentes.
Este estudo junta-se a outros recentes discutidos por mim e pelo Eli ("Ainda estamos evoluindo?" e " Os humanos ainda estão evoluindo? Com certeza!"), aqui no evolucionismo, que rebatem a ideia que nossa espécie parou de evoluir, principalmente por causa dos avanços tecnológicos, médicos e sanitários [1,2].
A lógica por trás dessa ideia, entretanto, sempre esteve longe de ser sólida já que a evolução depende basicamente de variação hereditária e reprodução diferencial que continuam ocorrendo em nossa espécie; portanto, continuaria acontecendo mesmo que excluíssemos a seleção natural e sexual. Porém, a questão principal é…
ContinuarPostado por José Antonio Dias da Silva em 28 abril 2012 às 19:12 2 Comentários 1 Curtiu isto
Descobri por acaso o blog Biologia do Envolvimento do biólogo Eduardo Bouth Sequerra, formado pela UFRJ, doutor pelo Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e ,atualmente, pesquisador da Universidade da Califórnia (EUA). Fiquei lamentando não ter descoberto esse blog mais tempo, pois certamente estaria cheio de assuntos. O interessante é que o cara se autodeclara um lamarckista ( seu lema é "minha veia lamarckista pulsa!") e vive postando matérias que enfatizam as idéias de Lamarck na biologia cotidiana. Mas a razão dessa postagem não é para falar de idéias lamarckistas. É para divulgar o trabalho de biologia evolutiva desenvolvido por Ivan Schmalhausen (foto) durante o regime comunista da União Soviética na década de 1940.
Continuar
"Existem muito poucos textos traduzidos deste autor", diz Eduardo Sequerra em seu blog.
"O seu único livro traduzido para o inglês chama-se 'Fatores da evolução: A teoria de seleção estabilizadora'. Este também não é um livro muito fácil de achar. A rede de bibliotecas da Universidade da Califórnia não o tem mas acabei encontrando pra vender na internet. Ele foi publicado em 1946 na União Soviética e a tradução para o inglês foi publicada em 1949. Naquela época, a síntese neo-darwinista ignorava o papel da embriologia para a evolução. A teoria de herança mendeliana tinha muita força e já que os alelos davam origem ao fenótipo,…
Postado por Rodrigo Véras em 16 abril 2012 às 19:18 2 Comentários 0 Curtiram isto
O sexo não é dos fenômenos mais fáceis de explicar, pelo menos, não de um ponto de vista evolutivo. Rituais de acasalamento são custosos, assim como são a exibição de belas cristas, caudas coloridas e ornamentadas e de cantos majestosos. Tudo isso exige grande esforço físico, portanto, investimento energético, além de pode tomar muito tempo e expor os animais a riscos que podem
simplesmente tomar suas vidas eliminado por completo as perspectivas de reprodução, seja pela exposição a predadores, seja pelo conflito com outros conspecíficos, no caso de disputas entre indivíduos por parceiras, ou seja por estresse imunológico [1]. Além de tudo isso, o que se consegue é passar apenas metade do seu genes às gerações futuras e não necessariamente a metade 'boa'. Por isso, o sexo continua sendo um enigma evolutivo; e embora tenhamos muitos modelos e explicações interessantes, e com certo nível de apoio empírico, grandes incógnitas ainda permanecem e não existe uma resposta completamente convincente, ainda que existam várias boas candidatas* [Para maiores detalhes veja esta resposta a uma pergunta para nosso tumblr ‘Pergunte ao evolucionismo’]. Há pouco tempo, entretanto, cientistas descobriram mais evidências que corroboram uma das hipóteses que…
Postado por Rodrigo Véras em 10 abril 2012 às 1:31 0 Comentários 0 Curtiram isto
Os peixes esgana-gatas são um dos mais poderosos modelos para o estudo da evolução morfológica e adaptativa já que em poucos milhares de anos várias populações de esgana-gatas de três espinhos (
desde a última glaciação, 10000 anos atrás) recolonizaram, repetidas vezes, ambientes de água doce. A forma ancestral do esgana-gatas de três espinhos (Gasterosteus aculeatus) de aguá-doce, portanto, era um peixe marinho coberto por uma "armadura" óssea protetora, mas cujos descendentes, em seus novos habitats de água doce, por diversas vezes e de maneira independente, evoluíram novas adaptações morfológicas e fisiológicas, como a perda do revestimento ósseo e dos espinhos, além de mudanças na tolerância à salinidade (1, 2, 3)*.
O estudo dos genomas desses animais têm revelado algumas mutações que parecem ter permitido a várias populações dessas populações uma rápida evolução adaptativa que foi necessária na mudança do ambiente marinho para o de água doce.
A velocidade da evolução desses peixes é impressionante, já que em cerca de 10 gerações os esgana-gatas marinhos podem perder suas armaduras e espinhos defensivos, substituindo-os por…
ContinuarPostado por LUIZ SERGIO DADARIO em 29 março 2012 às 14:30 4 Comentários 0 Curtiram isto
¨ Nada na biologia faz sentido exceto à luz da evolução ¨ ( T. Dobzhansky ).
Não consigo imaginar outra frase mais adequada do que esta para caracterizar o que está escrito em um pouco mais da metade da página 13 na edição de abril-2012 da Sciam-Brasil, sob o título ¨Motoristas do Banco Traseiro¨ e assinada por Carrie Arnold. Logo no início, a primeira frase do texto demonstra como o simples ato de contar pode nos revelar tesouros ocultos de argumentação. Ei-la : ¨ O corpo humano abriga pelo menos dez vezes mais células de bactérias do que células humanas ¨. Após definir o ¨microbioma¨ a autora relata um experimento em 2010 liderado por Eugene Rosenberg (Universidade de Tel Aviv) em uma população de Drosophila pseudoobscura bastante parecida àquela descrita no quarto parágrafo do post de Rodrigo Véras (1989-por Diane Dodd ) logo abaixo (segundo post de cima para baixo) [1], em que a população é dividida em duas e submetidas a duas dietas diferentes alterando a seleção de parceiros quando colocadas novamente juntas em uma única comunidade: as moscas se acasalavam com outras da mesma dieta. Porém, ao serem submetidas à uma dose de antibióticos as Drosophilas voltaram a se acasalar normalmente, sugerindo que a alteração de microrganismos intestinais levou à mudança. Outro experimento, desta vez com cupins (S. Bordenstein (geneticista) e colegas) utilizando-se de administração do antibiótico rifampicina provocou uma diversidade reduzida nas bactérias intestinais dos cupins e uma redução drástica no número de ovos. Tem-se…
ContinuarPostado por Rodrigo Véras em 28 março 2012 às 19:00 0 Comentários 0 Curtiram isto
Não é incomum que muitas pessoas assumam, simplesmente, que a evolução é uma marcha constante em direção ao progresso e ao aumento da complexidade, seja lá o que isso signifique, mas dado o que sabemos sobre evolução, especialmente sobre como ela ocorre, nada disso é necessário. Os mecanismos evolutivos e os demais fatores relevantes operam de maneira local e de uma forma muito dependente do contexto, não havendo objetivos a serem alcançados e muito menos de longo prazo. Um exemplo disso pode ser observado nos tamanhos dos genomas dos eucariontes cuja evolução está sujeita a diversas forças evolutivas, mas que nem os aumentos ou diminuições
observadas estão necessariamente associadas a complexidade genética ou fenotípica.
Como já discutimos em alguns artigos anteriores, parte dessa complexidade e mesmo o aumento bruto do tamanho dos genomas podem ser simplesmente explicados por uma combinação de fatores não-adaptativos - como o aumento do poder da deriva genética associada a perda de eficiência de seleção natural em populações pequenas, como advogam Lynch e Kooning [1], - e adaptativos indiretos como os associados aos simbiontes, comensais e parasitas genômicos que proliferam-se nos genomas dos seus hospedeiros muitas vezes a despeito de qualquer vantagens e até em detrimento dos mesmos [Para saber mais sobre este tema veja…
ContinuarPostado por Rodrigo Véras em 23 março 2012 às 13:00 2 Comentários 1 Curtiu isto
Este artigo surgiu de um dos meus encontros com propaganda criacionista na internet e é o segundo
do tipo, sendo que p primeiro foi postado em nossa página no tumblr e é intitulado “Receita criacionista: Presunção e ignorância” e que, como esse, também havia sido motivado por outro desses encontros, no mesmo site de perguntas e respostas.
Existe um certo padrão nestas propagandas. Geralmente começando por pergunta supostamente destinadas às pessoas, de bom senso, que aceitam a realidade da evolução biológica e, da assim
chamada, "Teoria Evolutiva". Porém, na realidade, tem como alvo os que não conhecem o mínimo de biologia evolutiva e que já tendem a simpatizarem com os criacionistas. Esta pergunta em particular valia-se de um vídeo ["As Moscas-das-frutas e as Mutações Genéticas"] como fonte que, em tese, serviria de suporte para uma série de outras perguntas que deveriam deixar os ‘evolucionistas’ sem respostas e embaraçados, mas que na realidade só deveriam embaraçar ao autor da pergunta e o do vídeo criacionista.
Meu alvo aqui, entretanto, não são os diretamente os criacionistas, mas sim os leigos que podem impressionar-se com este tipo de retórica e que,…
ContinuarPostado por Rodrigo Véras em 17 março 2012 às 22:30 1 Comentar 2 Curtiram isto
Aproveitando uma pergunta que respondi no Tumblr bioevolutiva
no "Pergunte ao Evolucionismo", posto aqui a resposta, com notas e comentários adicionais, a uma pergunta que de tempos em tempos aparece e que precisa ser respondida de modo direto e claro.
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Pergunta:
"Existem evidências do Design inteligente?"
Resposta:
A resposta curta é: Não!! Mas isso não é mais do que esperado devido a maneira com que se estrutura o movimento do Design Inteligente (DI) e o criacionismo de maneira mais geral, pois são movimentos de lobby social e político, de caráter puramente ideológico e que representam a perspectiva de certo segmentos religiosos mais conservadores. Sendo que seus adeptos não parecem possuir qualquer intenção de levar adiante o conhecimento científico ou mesmo empregar seus procedimentos e seu rigor às questões sobre origem do universo, da vida etc.
O movimento do Design Inteligente é, simplesmente, uma…
ContinuarPostado por Rodrigo Véras em 12 março 2012 às 21:30 3 Comentários 1 Curtiu isto
Ainda no século XIX, ao escrever seu "Alice no país das maravilhas" (1871) e o menos conhecido "Através do espelho" (1872), Lewis Carroll nem poderia fazer ideia que um de seus personagens emprestaria seu nome a uma hipótese bem conhecida na biologia evolutiva moderna, disciplina que ainda encontrava-se em sua mais tenra infância quando o lógico Charles Lutwidge Dodgson (nome verdadeiro de Carroll) escreveu suas obras.
A Rainha Verme
lha (que não é a Rainha de Copas de “Alice no país das maravilhas”, por sinal), de "Através do espelho", empresta seu nome a dois modelos diferentes, mas relacionados, envolvendo a coevolução, inicialmente propostos pelo biólogo evolutivo Leigh Van Valen. O primeiro deles,…
Adicionado por Karla Yotoko 0 Comentários 1 Curtiu isto
Iniciado por Eli Vieira. Última resposta de Bruno Scartozzoni 1 Fev. 19 Respostas 2 Curtiram isto
Iniciado por Lisandro Hubris. Última resposta de Jório Eduardo de Freitas Maia 19 Jan. 16 Respostas 1 Curtiu isto
Iniciado por Lisandro Hubris. Última resposta de Rodrigo Véras 10 Maio. 9 Respostas 0 Curtiram isto
Rodrigo Véras
- O Evolucionismo foi finalista do prêmio de melhor blog científico em língua portuguesa da rede ResearchBlogging.org em 2010.

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