“Será que o nosso trabalho mais recente “prova a evolução”?” [Tradução]

Mal o artigo foi publicado e já tem gente distorcendo os achados e os propósitos do trabalho de Ratcliif e colaboradores (2012), discutido há alguns dias aqui mesmo no evolucionismo, sobre evolução, em laboratório, da multicelularidade em populações de leveduras. Felizmente, um dos autores do artigo – o professor R. Ford Denison do Departamento de Ecologia, Evolução e Comportamento da Universidade de Minnesota – se apressou e explicou por que a crítica criacionista não tem fundamento e erra feio em relação ao ponto focal do trabalho em questão.

Como o artigo é simples e direto, e me permite divulgar o excelente blog mantido por Denison e alguns eventuais colaboradores, preferi traduzir o post e reproduzi-lo na íntegra.

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Será que o nosso trabalho mais recente “prova a evolução”?

Fonte: This Week in Evolution

Autor: R. Ford Denison


Tradução: Rodrigo Véras



A evolução é um tema vasto. Há muita evidência para a idade da Terra e muito menos sobre como a vida evoluiu pela primeira vez, mas nenhum desses tópicos é realmente parte da biologia evolutiva. Existem milhares de artigos sobre como a seleção natural e outros processos mudam as espécies ao longo das gerações, e milhares mais sobre como as espécies dividem-se em mais espécies. E, além disso, existem as grandes transições: genes reunindo-se em cromossomos, a origem dos eucariotos, da multicelularidade, e assim por diante. Existem menos artigos sobre esses temas e ainda menos tentativas de estudar essas transições em condições controladas, repetíveis. É por isso que o nosso artigo recentetem gerado tanto interesse – não porque ele lança alguma luz sobre como a vida surgiu, em primeiro lugar.

Mas um criacionista está criticando o nosso recente artigo, no You Tube. Ele ressalta que usamos centrifugação – a configuração mais baixa, mas ainda assim muito mais forte do que a gravidade – para selecionar para a multicelularidade. Se forças gravitacionais tão fortes fossem a única maneira através da qual a multicelularidade poderia evoluir por seleção natural, então, nós realmente teríamos que procurar outras explicações. Mas a gravidade normal funciona também, apenas leva mais tempo. (Tempos maiores de sedimentação por ciclo de seleção, não necessariamente mais ciclos.) Assim como a predação, como mostrado por Boraas et al. em 1998. Certas economias de escala podem funcionar, como sugerido recentemente por Koschwanez et al. E resistência a estresses como ao UV pode funcionar também, como sugeri em um post anterior.

Nós não estamos perguntando exatmente que as forças naturais poderiam selecionar para multicelularidade (proteção contra predadores versus proteção contra UV, por exemplo), mas concentramo-nos em questões como:

*Dado forte seleção, o quão rápido pode a multicelularidade evoluir? (Rápido! Então por que demorou bilhões de anos?)

*Que mudanças genéticas são essenciais para a transição inicial – – existem várias rotas genética para a multicelularidade? – e que outras mudanças ocorrem cedo na evolução da multicelular? (Em andamento)

Para responder a estes últimos tipos de perguntas, ajuda sermos capazes de aplicar exatamente a mesma pressão de seleção à multiplas populações replicantes – nós usamos dez – e isso é mais fácil com a centrifugação do que com predadores caprichosos.

Ao contrário de nós, Jesus não está próximo para objetar que “não era isso que eu disse.” Então eu quero destacar um erro de atribuição aparente no vídeo You Tube:

“Jesus estava certo sobre a criação, há 2000 anos atrás. Eu me pergunto sobre o que mais ele estava certo sobre.” – Criacionista no U-tube

Se Jesus disse alguma sobre a criação, eu perdi, mas tem isso aqui:

E, quando orares, não sejas como os hipócritas, porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, em que eles podem ser vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: Já receberam sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e quando tu, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. – Mateus 6:5-6


E Deus supostamente disse algo sobre não dar falso testemunho.

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Postado por R. Ford Denison em 23 de janeiro de 2012 às 04:53

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Literatura Recomendada:

Mais material e informações sobre o assunto podem ser encontradas aqui.

Leia também

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  • Rodrigo Véras 14 de janeiro de 2014  

    Última resposta: Parte II

    O DNA talvez seja o sistema de registro em código mais sofisticado do universo. Como é que as mutações – não dirigidos, não intencionais, não inteligentes, não pessoais agindo nas cópias (“letras” da fita trocadas, apagadas ou acrescentadas, duplicação de genes, inversão cromossómica, etc) geraram os enormes volumes de informação de DNA nos sistemas biológicos?

    Não são simplesmente as mutações que geram informação, mas mutações associadas a processos como a deriva genética e principalmente a seleção natural. Mais uma vez você apela para caricaturas e distorções das teorias e abordagens científicas para argumentar contra elas. Procure os artigos aqui neste blog sobre o tema. Use a ferramenta de busca. Além disso, v[a atrás dos artigos de pesquisadores como Thomas Schneider e Christoph Adami.


    Como é que tais acidentes aleatórios poderiam gerar 3 bilhões de letras de informação de modo a TRANSFORMAR um verme num infectologista?! As combinações não só constroem proteínas; mas também controlam o seu uso pela quantidade e qualidade das letras, sem admitir erros.

    Por que não são simples acidentes aleatórios em sentido estrito. Além de fatores estocásticos como a deriva e as mutações (que não são equiprováveis que fiquem bem claros), existem processos como a seleção natural que mesmo que contingentes não são aleatórios. Além disso existem vários erros em nosso DNA. Todos nós possuímos mutações, algumas delas ligeiramente desvantajosas. E genomas são duplicados por processos tão simples como a poliploidia e isso tudo é muito bem documentado na natureza. Vc simplesmente não faz a menor ideia do que está falando.

    Nada feito pelos seres humanos se aproxima desta notável eficiência biológica. Quem diria que o DNA pode armazenar informação de modo mais eficiente que nós?

    Mesmo que isso fosse verdade, isso é irrelevante. Além do mais, nós, seres humanos, temos usado há milhares de anos de maneira apenas parcialmente consciente e nos últimos séculos de maneira consciente e cientificamente orientada, o mesmo processo básico que ‘a natureza usa’ para produzir eficiência, a variação associada com a seleção. Mais recentemente a biotecnologia tem usado a mesma abordagem, na chamada evolução dirigida.

    Em alguns sistemas físicos e químicos até seriam possíveis essas trocas, mas não pra formação e descendência de vida orgânica biológica em alta complexidade.

    De onde você tirou isso? Quais são sua s evidências para firmar isso? Mais uma vez você cospe alegações sem oferecer quaisquer evidências. Não há nenhum motivo para que processos naturais não produzam aumento de complexidade locais inclusive “pra formação e descendência de vida orgânica biológica em alta complexidade.” O ônus é seu em provar o contrário e desafiar com consenso entre os físicos e quiímicos.


    …mas em nada abala a constatação de que os seres vivos evoluíram e evoluem e que o estudo da origem da vida por mecanismos naturais é o único caminho viável, pelo menos, até que se mostre o contrário.


    Meu amigo, a verdade é que não temos qualquer evidência de que os sistemas de informação presentes nas formas de vida se criaram e escreveram a eles mesmos, que a vida criou-se a ela mesma, que uma forma de vida 100% aquática passou a ser 100% terrestre, que dinossauros passaram a ser colibris! que lobos, vacas, ursos viraram baleias, que a reprodução sexual criou-se a ela mesma, em duas formas de vida semelhantes e se uniram e passaram logo a reproduzir e a gerar descendência,… que chimpazés “desceram das árvores” e passaram a ser evolucionistas, e tudo o mais que faz parte da filosofia mitológica chamada “teoria da evolução”.
    Vcs tem a vossa fé e direito de ACREDITAR nisso. Só não chamem essas fantasias de “ciência” porque isso não é.

    Vc realmente é bem confuso e tem uma ideia bem bizarra do que é a evolução. Além disso, você insiste em misturar a origem da vida com a evolução biológica, desviando do assunto deste post. Isso é outro motivo que vai me fazer simplesmente terminar com esta discussão. Mas, deixado suas descrições bizarras de lado, temos sim muitas evidências que os seres vivos evoluiram e que tem uma origem comum.

    As evidências comparativas da anatomia, embriologia, bioquímicas e genética, junto com os fósseis e da biogeografia já fecharam esta questão há mais de um século (e no caso das moleculares reforçaram esta conclusão há décadas). Suas afirmações em contrário, estas sim são produtos de fé cega e desinformada.

    Como eu disse e repito, muitos religiosos (além de pessoas dos mais diferentes backgrounds políticos e ideológicos) aceitam estas evidências e estão de acordo em relação ao fato da evolução. Apenas pessoas como você, altamente desinformadas, confusas sobre as evidências e ideologicamente enviesadas continuam negando a evolução.

    Sim temos várias, mas você não as aceita.


    Essa é uma mera opinião, sem quaisquer argumentos e evidências que a suportem. É portanto um simples argumento de autoridade, mais uma velha e conhecida falácia. Franklin é um conhecido criacionista e suas credenciais não valem nada sem que ele forneça argumentos e evidências respaldadas na literatura científica e consiga justificar seu repú consenso científico.


    Sim, para o “
    CONSENSO” especulativo dos crentes naturalistas; opiniões de outros cientistas não valem nada, só as deles!! nada parcial e preconceituoso né…!
    Na verdade, há farto material incluindo publicações científicas, com citações constrangedoras e comprometedoras dos próprios evolucionistas demonstrando as insolúveis e crescentes lacunas dessa crença ideológica/filosófica/religiosa. Ex:disso:
    http://www.asa3.org/ASA/PSCF/1996/PSCF9-96DeHaan.html#1

    Opiniões de cientistas que não são especialistas nas áreas relevantes, claramente ideologicamente motivados e que mutilam os fatos e distorcem as informações e evidências não servem para desabonar o consenso. Copiar e colar trechos opiniosos de textos destas pessoas não é argumento e não serve como evidência. Não há qualquer preconceito em não aceitar asserções sem argumentos e não respaldados na literatura científica especializada. Mostre as publicações revisadas por pares e publicadas em revistas científicas de grande impacto destes tais cientistas criacionistas que mostram que a evolução não ocorreu e que estabelecem a viabilidade do criacionismo como alternativas científicas.

    Como já disse, as evidências experimentais científicas já realizadas até em ambientes menos severo, refutam seu argumento. Mais uma vez é a vossa fé em crer nesse milagre espetacular descabido.

    Quais evidências, Cícero? Realmente é assustador ver o nível de projeção psicológica e cara de pau que vocês chegam. Mais uma vez, ‘milagres’ (como explicação científica aceitável e suficiente) é no que os criacionistas acreditam. Com você pode negar isso e imputar esta crença aos cientistas sérios.

    As evidências fósseis e filogenéticas comparativas demonstram claramente funções específicas e necessárias aos seres vivos e não sinais macroevolutivos morfológicos.
    O estudo apenas provou descendência hereditária genética do MESMO ser.

    Errado. As evidências de formas de transição e a capacidade de reconstruirmos as árvores e de encontrarmos grupos basais (os grupos tronco) são evidências claras de transições macroevolutivas morfológicas. Mais uma vez, desafio, ao invés de apenas negar o que eu digo, mostre por que isso seria assim, de preferência usando fontes científicas sérias e especializadas e não material criacionista.


    Foi exatamente isso que eles obtiveram. A divisão de trabalho celular mostrada em experimentos anteriores e a secreção de matriz extracelular que mantém os agregados juntos são exatamente o tipo de coisa que você nega ter acontecido. Mas existem muito mais evidências de evolução de nova informação genética, com novos genes, novos circuitos fenéticos e funções tendo surgido por meio de mutações, deriva e seleção natural.


    É sua especulação fantasiosa forçada. Não há nada NOVO. A alga Chlamydomonas reinhardtii, continua a mesma alga Chlamydomonas reinhardtii…

    Ela não é mais uma forma unicelular, ela é uma forma multicelular e que se reproduz por propágulos unicelulares. Eles conseguiram não evoluir em laboratório uma forma multicelular a partir de uma unicelular, mas conseguiram evoluir um ciclo uni-pluricelular de reprodução. Não há especulação aqui. As evidências são claras. Vc é o ‘cego’ aqui que recusa a ver. Note que a questão da especiação é irrelevante, especialmente por que estamos falando de formas que reproduzem-se assexuadamente, portanto, a diferenciação genética e fenotipica é trivial associada a especiação seria trivial.


    Errado. Mutação, deriva e seleção nunca conseguiram aumentar informação genética pra formação de NOVOS seres em NOVOS clados verticais.

    Vc não sabe o que é informação. Agora é claro. Tente defini-la, respaldar esta definição com referências científicas sérias e explicar por que “ Mutação, deriva e seleção nunca conseguiram aumentar informação genética pra formação de NOVOS seres em NOVOS clados verticais.”. Aliás defina o que é um clado vertical e traga uma boa referência para isso. Vc realmente está bem perdido, mas não quer se achar mesmo.

    http://evolucionismo.org/profiles/blogs/informacao-biologia-e-evolucao-2

    http://pergunte.evolucionismo.org/post/5895251714

    http://evolucionismo.org/profiles/blogs/a-origem-de-nova-informacao

    http://evolucionismo.org/profiles/blogs/a-origem-de-nova-informacao-1

    http://ncse.com/rncse/26/3/evolution-biological-complexity

    • Schneider TD. Evolution of biological information. Nucleic Acids Res. 2000 Jul 15;28(14):2794-9. PubMed PMID: 10908337; PubMed Central PMCID: PMC102656.

    • Adami Information Theory in Molecular Biology. Physics of Life Reviews 1 (2004) 3-22. [PDF]

    • C. Adami, C. Ofria, and T. C. Collier. Evolution of Biological Complexity. Proc. Nat. Acad. Sci. 97 (2000) 4463-4468. [PDF]

    • Szostak, JW. Functional information: molecular messages. Nature. 2003 June 12; 423: 689. PDF

    • Hazen RM, Griffin PL, Carothers JM, Szostak JW. Functional information and the emergence of biocomplexity. Proc Natl Acad Sci U S A. 2007 May 15;104 Suppl 1:8574-81. Epub 2007 May 9. PDF

    Continua …

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