Comportamento Aviário de um Dinossauro

Há mais de cem anos a teoria de que aves surgiram de dinossauros é amplamente aceita pela comunidade científica. Antes mesmo de Darwin, muitos naturalistas já reconheciam que pássaros e répteis que vivem atualmente compartilham várias semelhanças anatômicas com os dinossauros, tais como braços alongados e grandes órbitas oculares (uma lista mais completa pode ser vista aqui).

 

Após a publicação do livro A Origem das Espécies, seguiram-se trabalhos dos quais podem ser destacados os de Gegenbaur (1863) e Parker (1864), que comentam as afinidades entre pássaros e répteis. O primeiro trabalho que aparentemente sugere relação evolutiva direta é o de Haeckel (1866). Com Thomas H. Huxley (1867), em seu artigo sobre classificação aviária, esta relação evolutiva foi firmemente defendida.

 

Desde então esta teoria adquiriu cada vez mais evidências para apoiá-la. Há forte evidência de que os pássaros são descendentes dos terópodas (dinossauros pertencentes à ordem Saurischia). Um exemplo de dinossauro desta ordem é o Oviraptor philoceratops (cujo nome vem do latim “ladrão de ovos”), descoberto pelo paleontólogo Roy Chapman Andrews, e descrito em1924 por Henry Fairfeld Osborne. O oviraptor viveu no período Cretáceo tardio, durante o Campaniano, há cerca de 75 milhões de anos.  Figura 1: representação artística de um Oviraptor philoceratops.

 

Em um artigo publicado, um fóssil espetacular de um Oviraptor foi encontrado em uma posição aviária típica: chocando os ovos (Norell, Clark, Chiappe & Dashzeveg, 1995). O espécime (IGM 100/979) foi encontrado em Ukhaa Tolgod, uma localidade do centro-sul da Mongólia em 1993, durante o projeto de cooperação entre a Academia Mongol de Ciências e o Museu Americano de História Natural.

                                  Figura 2: fóssil encontrado.

 

O fóssil não apresenta sinais de transporte após sua morte. A análise do esqueleto mostra afinidade maniraptoriana é observada pelo carpo semilunar, que é firmemente segurado pelos metacarpos I e II. As clavículas são fundidas, formando um fúrcula em forma de “v”, característica típica de ovirapitoróides.

 

         Figura 3: à esquerda, representação esquemática do fóssil, à direita, um detalhe do mesmo.

                                  Figura 4: representação do dinossauro pouco antes de sua morte.                             

 

A IGM 100/979 é a amostra melhor preservada e provê a exata posição do esqueleto no ninho. A púbis está no centro do ninho. Os ovos estão arranjados em um padrão circular, com a extremidade mais bojuda apontando para o centro do ninho, e o ninho tem 22 ovos, cada um medindo 18.0 cm de comprimento e 6.5 cm de largura. Segundo o artigo, mais fósseis desta espécie foram encontrados em posição semelhante, o que evidencia de forma muito forte o comportamento que existia antes do surgimento dos pássaros modernos e comum aos terópodas maniraptorianos não-aviários.  

 

 

Referências

 

  1.  Norell, M. A., Clark, J. M., Chiappe, L. M., Dashzeveg, D., Nature, 1995 Artigo
  2. Norell, M. A. et al, Science 266,  779-782 (1994).

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10 comentários

  • Rodrigo Véras 8 de fevereiro de 2011  

    Luiz, sempre fui fascinado por dinossauros e animais pré-históricos. Ainda tenho essa fascinação e também já quis muito viajar em uma máquina do tempo para ver uma dessas criaturas ao vivo. Hoje mato parte dessa minha vontade olhando para as aves e admirando a imponência de seus ancestrais.

     

    Abraços,

     

    Rodrigo

  • Anônimo 8 de fevereiro de 2011  

    Luiz, sempre fui fascinado por dinossauros e animais pré-históricos. Ainda tenho essa fascinação e também já quis muito viajar em uma máquina do tempo para ver uma dessas criaturas ao vivo. Hoje mato parte dessa minha vontade olhando para as aves e admirando a imponência de seus ancestrais.

     

    Abraços,

     

    Rodrigo

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