Reavaliação da Taxonomia dos Lagartos Peçonhentos

Oi, amigos do Evolucionismo. Faz tempo que não posto uma mensagem de blog por aqui, não é mesmo? Sabe como é, muito trabalho, muito estudo, pouco tempo…Como nas últimas semanas tenho me dedicado muito aos tópicos de sistemática filogenética, resolvi postar trechos da publicação de Daniel Passos, membro do Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (NUROF-UFC), publicado em 28 de agosto de 2013 no blog da entidade.

Informa a postagem:

” No último mês (Julho de 2013), uma equipe de pesquisadores norte-americanos publicou no periódico “Amphibian & Reptile Conservation” uma pesquisa que trouxe à tona uma grande descoberta para a herpetologia mundial. Neste trabalho, os autores reavaliaram a classificação taxonômica do “Lagarto de Contas” (Heloderma horridum), uma das espécies verdadeiramente peçonhentas previamente conhecidas, e descobriram que, sob este nome científico, existiam outras três espécies até então desconhecidas pela ciência (Figura 1).”Heloderma

Com base em informações morfológicas (folidose e coloração), moleculares (DNA mitocondrial e nuclear) e biogeográficas, as três novas espécies foram então nomeadas como: Heloderma alvarezi, Heloderma charlesbogerti e Heloderma exasperatum. De acordo com os autores do artigo recém publicado, as quatro espécies divergiram de um ancestral comum há cerca de 35 milhões de anos.

Portanto, após esses novos achados, o número de espécies de lagartos peçonhentos foi elevado para seis, sendo três destas já previamente conhecidas (“Dragão de Komodo” – Varanus komodoensis, “Lagarto de Contas Mexicano” –Heloderma horridum e o “Monstro de Gila” – Heloderma suspectum), além das outras três espécies de “Lagartos de Contas” recém descritas (Heloderma alvarezi,Heloderma charlesbogerti e Heloderma exasperatum).” [1]

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Referência:

  1. Passos, Daniel Os lagartos peçonhentos foram reavaliados: Agora são seis espécies    no mundo! Blog do NUROF-UFC Publicado em 28/08/2013.

Para saber mais:

  • Reiserer RS, Schuett GW, Beck DD. 2013. Taxonomic reassessment and conservation status of the beaded lizard, Heloderma horridum (Squamata: Helodermatidae). Amphibian & Reptile Conservation 7(1): 74–96 (e67). [Link]

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Um comentário

  • Rodrigo Véras 29 de novembro de 2013  

    Oi, Ester. De acordo com o estudos iniciais do grupo da Herculano-Houzel, as regras de dimensionamento dentro das ordens seriam mais ou menos as mesmas e, assim, nós, seres humanos, estaríamos bem dentro do esperado para primatas do nosso tamanho. Porém, antes de podermos ter mais confiança nisso, a amostragem precisa aumentar. Mais primatas precisam ser estudados, bem como outros mamíferos e vertebrados. O que achei mais interessante nas propostas do grupo dela é que eles invertem a questão sobre o tamanho relativo do cérebro humano (além de colocarem-na em termos do número de células, algo mais palpável) – que, na verdade, parece estar dentro do esperado pelas regras de dimensionamento para primatas – para ‘Por que os demais grandes primatas não são mais parecidos conosco?’. Aí entra a limitação metabólico-energética em que o cozimento de alimentos teria feito a diferença, uma vez que com poucas horas de forrageio poderíamos obter muito mais energia do que de uma dieta ‘crugívora’ que é o caso dos demais grandes primatas que, possivelmente, por causa disso não teria tido condições de evoluir seus cérebros de uma forma mais consistente com os padrões de dimensionamento da ordem. Pelo menos foi assim que eu compreendi as evidências e os argumentos apresentados pelos artigos do grupo do laboratório de Neuroanatomia comparativa. Ainda, existem alguns questionamentos pertinentes sobre o esquema adotado de contagem de calorias que não leva em conta a diversidade dietária, mas a ideia é muito interessante e me parece na direção certa.

    Porém, dito isso tudo, além do número de neurônios existem questões sobre a microarquitetura cerebral e o padrão de distribuição dos corpos celulares e fibras ao longo do encéfalo, ou seja, sobre a estrutura dos cérebros, tópicos que devem ser cruciais também para compreendermos a evolução da cognição e, especialmente, de nossas capacidades de aprendizado social e abstração mental. Aí entramos em uma zona bem mais difícil de estudar por meio dos fósseis pois não é claro que tipo de informações podemos obter das endocastas dos fósseis de homininas extintos sobre estes detalhes neuroanatômicos. Eu realmente não sei muito sobre isso.

    Além disso, existe a questão que você colocou sobre medir inteligência que é algo que devemos sempre fazer com grande cuidado, tendo em vista que muitas vezes o que medidos são apenas definições operacionais de algum aspecto que julgamos pertinente a cognição e ao comportamento e que por isso acreditamos estar ligado ao conceito mais geral de inteligência. Reificar estas medidas operacionais como sendo elas próprias ‘a inteligência’, entretanto, é algo que não tem um histórico muito bom, levando mais a mitificação do que ao conhecimento propriamente dito sobre o assunto.

    Para resumir, eu acho que o que podemos dizer é que nossa linhagem passou, nos últimos três milhões de anos, por uma tendência de aumento cerebral e isso, aparentemente, teve como pré-requisito a maior disponibilização de calorias (em menos tempo) associada a mudança dietária e provavelmente ao cozimento de alimentos e podemos inferir isso por causa da correlação entre o aumento do número de neurônios e contagem de calorias consumidas por neurônio que, acreditamos, poder estar associado aos aumentos de capacidade cognitivas inferíveis por dados paleoarqueológicos, por exemplo, já que a parir de um certo período aos vestígios de cultura e inteligência parecem aumentar de complexidade.

    A rede de inferências vai tornando-se realmente cada vez mais tênue a medida que chegamos mais perto da inteligência e cognição, mas, como aludi, existem outras informações, como as associadas a descoberta de artefatos, ferramentas, padrões de caça, coleta e organização social que podemos usar para inferir maiores capacidades cognitivas associadas ao aumento do volume cerebral que parece estar ligados ao aumento do número de neurônios.

    Claro, é preciso ter bastante cuidado por que muitos desses resultados e não devemos esperar que mudanças culturais mais explícitas reflitam diretamente aumento das capacidades cognitivas, uma vez que a cultura e a tecnologia e outros fatores, cujos vestígios usamos para inferir inteligência, também dependem do contexto social e até mesmo do contexto demográfico específico. Por exemplo, mais recentemente a ideia de um ”big bang’ cognitivo-cultural, de base neurogenética, que teria ocorrido por volta de 50000 anos atrás foi questionado por que existem evidências de artefatos e culturas efêmeras de complexidade similar encontrados até há 90 000 atrás. Isso mostra que ao invés de uma simples mudança cognitiva de base neurogenética, a causa desse big bang cultural pode ter sido simplesmente demográfica, pois este tipo de boom cultural, aparentemente, precisa de massa crítica e continuidade cultural.

    Abraços,

    Rodrigo

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