O Mundo é dos Insetos

 

Com este título, postei em 14 de julho de 2010 uma matéria adaptada do livro “Diversidade da Vida” de Edward O. Wilson no meu blog chamado “Biorritmo” e, curiosamente, esta postagem veio a se tornar uma das mais populares do blog. O motivo? Não sei. Mas tudo me leva a crer que a supremacia numérica e a diversidade de formas dos insetos despertam um certo fascínio nas pessoas. Vejamos a postagem na íntegra:

“Entre os animais  conhecidos da ciência, os insetos são a maioria esmagadora. Os insetos, com 750 mil espécies conhecidas, constituem  a dinastia inconteste dos animais pequenos  e médio pequenos da Terra, e ocupam essa posição desde o final do Período Carbonífero, há mais de 300 milhões de anos. Seus co-regentes do reino vegetal têm sido há 150 milhões de anos as angiospermas , as plantas floríferas, que abrangem cerca de 250 mil espécies, 18% do total de todos os organismos conhecidos.
A imensa diversidade conjunta de insetos e plantas floríferas não é acidental. Os dois impérios são unidos por intricadas simbioses. Os insetos consomem todas as partes anatômicas das plantas e habitam cada um de seus cantos e recantos. Uma grande parcela das espécies de plantas depende dos insetos para polinização e reprodução. Derradeiramente, devem a eles a sua vida, pois os insetos revolvem o solo em torno de suas raízes e decompõem tecidos mortos transformando-os nos nutrientes necessários para que possam continuar crescendo.
Tão importantes são os insetos e outros artrópodes que se todos desaparecessem a humanidade provavelmente não sobreviveria mais do que alguns meses. A maioria dos anfíbios, répteis, aves e mamíferos seriam extintos mais ou menos ao mesmo tempo. Em seguida sucumbiria a quase totalidade das plantas floríferas e com elas , a estrutura física da maioria das florestas e outros habitats terrestres do mundo. A superfície da Terra literalmente apodreceria. À medida que a vegetação morta  fosse se acumulando e secando, fechando os canais dos ciclos de nutrientes, outras formas complexas de vegetação morreriam, e com elas, todos  exceto alguns resíduos esparsos de vertebrados terrestres.
Os artrópodes, portanto, estão em toda parte à nossa volta, dando-nos vida, e nós jamais  medimos seu número. Há muito mais espécies do que as 875 mil que receberam um nome científico até o momento. Estima-se que existem 30 milhões de espécies de artrópodes nas florestas pluviais, das quais a maioria são insetos. A maior parte  da variedade está concentrada nas copas das árvores das  florestas tropicais, locais que tem se mantido inacessível por causa da altura das árvores (30 a 40 metros), da superfície escorregadia dos troncos e dos enxames de formigas e abelhas que lá habitam. E por falar em formigas, elas constituem  quase metade da biomassa total dos insetos e 70% da biomassa dos insetos encontrados nas copas das árvores. Somente na floresta pluvial amazônica, as formigas constituem  mais de 10% da biomassa animal. Isso significa  que  se fôssemos coletar e secar todos os animais de uma área da floresta, de macacos e aves até ácaros e nematóides, pelo menos 10% do peso seria de formigas.”

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10 comentários

  • Anônimo 11 de março de 2011  

       José, li o Diversidade da Vida quando foi publicado aqui no Brasil e fiquei impressionado com a quantidade de informação fornecida pelo autor, que considero uma enciclopédia viva como comentei em um post anterior do Eli.O trecho destacado que fala sobre o ¨desaparecimento dos insetos¨e suas consequências lembrou-me uma frase de Einstein que dizia exatamente a mesma coisa ( embora êle se referisse às abelhas ) e o que está escrito nesta sua breve mensagem nos servem de inspiração para muitas reflexões.Abraços.

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