Mais Sobre Cachorros e Lobos

Crânio de canídeo com 36 mil anos, achado em caverna na Bélgica, pode ser de animal ancestral comum de lobos e cães (Instituto Real de Ciências Naturais da Bélgica)

A revista Science em sua edição de 15 de novembro de 2013 publicou uma estudo afirmando que o animal ancestral comum de cães e lobos era europeu e teria cerca de 20 mil anos, o dobro do tempo transcorrido desde a invenção da agricultura, precedendo até a chegada do homem ao continente americano.

Segundo a revista, as origens geográficas e temporais do cão doméstico ainda permanecem controversas. Apesar  de dados genéticos sugerirem que o processo de domesticação tenha iniciado há 15 mil anos no leste da Ásia, o estudo de fósseis de canídeos antigos encontrados em cavernas na Europa e na Sibéria datam de mais de 30 mil anos.

Para este estudo, foram analisados os genomas mitocondriais de 18 canídeos pré-históricos da Eurásia e do Novo Mundo, juntamente com um painel abrangente de análise do DNA de cães modernos, coiotes e lobos. Segundo reportagem da Folha de São Paulo de 18/11/2013 foram analisados o DNA de 77 cães de diferentes raças, 49 lobos e 4 coiotes.

Os pesquisadores, liderados por Olaf Thalmann, da Universidade de Turku, na Finlândia, e Robert Wayne, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, fizeram uma leitura completa do DNA mitocondrial desses animais e construíram uma  árvore genealógica a fim de analisar as relações filogenéticas entre as espécies.

Segundo Wayne ” Quase nenhum dos lobos atuais, por outro lado, tem parentesco próximo com os cães de hoje, o que outros estudos já mostravam. Tudo indica que a população de lobos ancestral dos atuais cães acabou se extinguindo“.

A reportagem da Folha acrescenta que

“as análises também trouxeram uma estimativa para a data de domesticação, a qual, segundo o pesquisador, encaixa-se bem com a ideia de que certos lobos começaram a rodear os acampamentos dos caçadores humanos e ‘limpando’ as carcaças abandonadas.

Com o tempo, a relação foi se tornando mais estreita, com os bichos sendo usados como guardas ou companheiros de caça. Uma hipótese popular apostava em outro mecanismo de origem, a domesticação depois do surgimento da agricultura.

Pesquisadores rivais, no entanto, dizem que ainda é cedo para abandonar ideias concorrentes. Peter Savolainen, do Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo (Suécia), um dos defensores da origem asiática dos cães, criticou a falta de DNA de fósseis da Ásia na análise.”, diz a Folha.

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Para saber mais:

Thalmann, O et al. Complete mitochondrial genomes of ancient canids suggest a european origin of domestic dogs.  15 November 2013: Vol. 342 no. 6160 pp. 871-874 DOI: 10.1126/science.1243650

Folha de São Paulo.Animal ancestral comum de cães e lobos era europeu, diz estudo. 

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Um comentário

  • Ester Oliveira 29 de novembro de 2013  

    No caso, se o tamanho do cérebro não se relaciona tão diretamente com o número de neurônios (visto que as regras de dimensionamento e escalas não são as mesmas para todos os grupos) terá-se que rever as teorias de evolução da inteligência humana, que sempre foi diretamente correlacionada ao aumento do cérebro pois se esperava que esse aumento indicasse aumento no número de neurônios e portanto, maior capacidade de sinapses e armazenamento de informações. Essas medidas são sempre baseadas em centímetros cúbicos das caixas cranianas de ossadas. Não sei se dentro dos primatas essas regras de dimensionamento e escalas são as mesmas, se forem as mesmas, o racicínio e a extraploração estarão certos. Mas parece que não é só dizer que o fóssil tal tem a caixa craniana maior do que o tal para se concluir que um era mais inteligente do que o outro. Sempre achei que poderíamos medir a “inteligência” mais razoavelmente com o numero de neurônios (pois seria um indicativo de numero de sinapses e capacidade cerebral) e sempre achei que o tamanho cerebral refletisse o número de neurônios e portanto aceitava a ideia de que tal espécie tem o volume cerebral maior que tal como indicativo dessa “inteligencia”. É claro que essas medições de “inteligência” mecanizam e reduzem totalmente o conceito de inteligência a algo mecânico e fisiológico, mas é o jeito que as pessoas geralmente estudam os seres humanos. Afinal medir inteligência e racionalidade não é nada possível. Podemos dizer que nossos antepassados passaram por um aumento cerebral possibilitado pela capacidade de ingerir mais calorias provinda de uma nova dieta que incluía alimentos cozidos, mas podemos correlacionar isso com o aumento de neurônios?

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