A Terceira Onda de Extinção

Li uma matéria na Revista Planeta nº448 (Editora Três) e fiquei, ao mesmo tempo, maravilhado e indignado por saber que estamos vivendo a terceira onda de extinção. Mas não é qualquer ondinha, não. Trata-se de uma verdadeira  tsunami exterminadora de espécies viventes do nosso planeta, engendrada pela mais cruel das criaturas: o bicho-homem. Achei tão interessante o texto que resolvi publicá-lo (de uma forma adaptada no meu blog, o Biorritmo. Vejam como ficou o texto após a adaptação: 

Iniciada em 1970, a terceira onda de extinção está em andamento e, dependendo da perspectiva de cada cientista, deve, nos próximos 30 anos, responder pelodesaparecimento de cerca de 20% a 50% das espécies vivas. Entre elas há grandes predadores, como o tigre; primatas, como o chimpanzé, o orangotango e o gorila-da- montanha; pássaros, como o albatroz; anfíbios, como o sapo-dourado; os recifes de coral e todas as formas de vida que eles sustentam. A interferência humana é fator substantivo nesse quadro desastroso, particularmente por conta das alterações climáticas que seu modus operandi vem deflagrando.

Em texto publicado no site do jornal russo Pravda, o engenheiro florestal e doutor em agronomia brasileiro Fabio Rossano Dario aponta três ondas de extinção de porte considerável desde que o homem surgiu na face da Terra. A primeira, que abrange o período entre 40 mil anos atrás e o fim do século 15, foi marcada pelo desaparecimento de toda a megafauna da Europa e do norte daÁsia (Neandertais inclusos), além dos grandes mamíferos das Américas, de dezenas de espécies de marsupiais australianos e da fauna de Madagascar e de 15% das espécies de pássaros do mundo.

Entre as perdas dessa onda estão o mamute, o mastodonte, o urso-de-cara-achatada, o rinoceronte-lanudo, o leão-das-cavernas, cerca de dez espécies de moa (pássaro enorme que habitava a Nova Zelândia) e 12 espécies delêmures gigantes (um dos quais atingia dois metros de altura). O auge da extinção nesse período foi há cerca de 10 mil anos – a chamada “matança do Pleistoceno” -, fase de grandes alterações climáticas e de intensificação das atividades de caça dos humanos.
A era das grandes navegações, iniciada pouco antes do fim do século 15, e o ano de 1970 delimitam a segunda onda de extinção, que conviveu com o colonialismo europeu, a revolução industrial e o surgimento do capitalismo. Uma das regiões mais afetadas foi o Caribe, cuja flora e fauna perderam centenas de espécies. Duas delas, vítimas da caça indiscriminada, foram a foca-monge (Monachus tropicalis), chamada por Cristóvão Colombo de lobo-marinho, e a vaca-marinha-de-steller (Hydrodamalis stelleri), um tipo de peixe-boi giganteencontrado no Pacífico Norte e que chegava a atingir 7 metros de comprimento e 10 toneladas de peso.
Na lista de mamíferos desaparecidos nesse período figura a quaga (Equus quagga), tipo de zebra da África do Sul que possuía listras apenas na parte posterior do corpo, exterminada por caçadores na segunda metade do século 19. Outro espécime é o tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus), marsupial semelhante a um cachorro com listras verticais na parte de trás do corpo, à maneira do tigre. Acusado pelos fazendeiros locais de matar ovelhas, ele foi exterminado impiedosamente.
A caça indiscriminada também fez muitas aves darem adeus à superfície do planeta nessa época. A mais conhecida entre delas é o dodô (Raphus cucullatus), das Ilhas Maurício, mas merecem destaque ainda a huia (Heteralocha acutirostris), da Nova Zelândia, e a alca-gigante (Pinguinus impennis), que vivia na Islândia.
O poder do homem pode não se mostrar tão devastador, mas, segundo alguns pesquisadores, é sem dúvida respeitável: em seu livro The future of life (O futuro da vida), publicado pela Vintage Books em 2003, o professor de biologia Edward Wilson, da Universidade Harvard (Estados Unidos), prevê que, no ritmo atual de destruição humana da biosfera, 50% de todas as espécies de seres vivos desaparecerão da face do planeta em 100 anos. Cálculo semelhante já havia sido apresentado oito anos antes pelo paleontólogo inglês Richard Leakey em The sixth extinction (A sexta extinção), escrito em parceria com o jornalista Roger Lewin e publicado pela Doubleday.
O desaparecimento de espécies não chega a ser algo a se estranhar sob o prisma estatístico: os cientistas afirmam que 99,9% de todas as formas de vida que existiram sobre a face do planeta já se foram. (A probabilidade de que nós, humanos, sigamos o mesmo caminho é, portanto, bem alta.) O que pode não surgir tão claramente aos olhos dos observadores é o real papel do Homo sapiens em todo esse processo. Certamente não é o do meteoro que formou a cratera deChicxulub, na região do Yucatán, e precipitou o desaparecimento súbito dos dinossauros.
O homem parece mais ser um dos protagonistas de uma erosão contínua dabiodiversidade associada a outros fatores, em especial mudanças climáticas, e que se amplia exponencialmente conforme os ecossistemas vão sendo destruídos. “Se você soma os números de espécies que foram extintas nas últimas centenas de anos, descobre que os números ficam bastante aquém de uma extinção em massa“, assinala o professor Norman MacLeod, administrador da área de paleontologia do Museu de História Natural de Londres. “É apenas quando você olha para os números de criaturas que estão na iminência de serem erradicadas que o quadro se torna alarmante.”
Ainda é possível reverter esse quadro geral? A resposta fica no âmbito da profecia, dada a dificuldade de fazer a crescente consciência ambiental da sociedade se transformar em ações internacionais amplas. A maioria dos especialistas antevê tempos sombrios, nos quais o homem descobrirá por si mesmo as consequências de viver em meio a uma biodiversidade muito mais pobre.

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  • Rodrigo Véras 14 de janeiro de 2014  

    Última resposta -Parte III

    São apenas mecanismos que o Criador deixou para os devidos reparos genéticos quando necessários e consequente ADAPTAÇÃO a novas situações de ameaça inclusive com perda de informação genética; ainda assim em muitos casos houve extinções e não evolução de espécies.

    [Sarcasmo ligado] Imagino que você esteja cheio de evidências científicas para isso independentes daquelas que esta sua alegação deveria justificar, não é? Por favor, as traga aqui.


    De-me algum exemplo observável hoje em dia ou recente, com evidente transformção anatomica a caminho para formação de um NOVO ser com NOVAS funções com NOVAS estruturas com NOVO DNA ou seja – macroevolução vertical – que é pura desculpa sua em não aceitar este termo; justamente por vós não terem provas/evidências factuais verificáveis.

    Cícero, os próprios experimentos que descrevo neste post são um exemplo do que você pede (deixando de lado o usos de termos bizarros como ‘macroevolução vertical’ que até onde sei é coisa da cabeça de criacionista), mas você não os aceita. Além do mais, temos evidências comparativas para isso. Temos evidências para a duplicação de genes e formação de novos circuitos genéticos e a aquisição de novas morfologias em animais, microrganismos e plantas. , mas você simplesmente não aceitam repetindo que ‘não são para formação de um NOVO ser com NOVAS funções com NOVAS estruturas com NOVO DNA’.

    O problema é que você não aceita evidências comparativas para transições estendidas no tempo e que por isso transcendem nossa capacidade de observação, mas também não aceita as evidências experimentais de mudanças impressionantes como as discutida neste post. E nega-se a aceitar esteas evidências sem dar qualquer bom motivo: Ou repetindo sem argumentar e trazer evidências que as evidências comparativas não contam ou repetindo que tal organismo continua sendo tal organismo, não tendo especiado, o que é irrelevante.


    Olha que fé incrível. Sim, os peixes CRIARAM as suas próprias patas, pulmões, pescoços, pernas etc! 😀 Disseram pro seu corpo: abracadabra! faça-se membros pois queremos conquistar novos mundos! vamos pra terra!

    Cícero, sei que em sua cabeça impregnada de teleologia e finalismo fica difícil aceitar que nenhum ser (natural ou sobrenatural) CRIOU ALGUMA coisa em relação a evolução. A evolução não uma obra planejada. Os peixes não criam pernas, a não ser em um sentido metafórico mais ainda assim bem enganoso, pois a evolução é um fenômeno transgeracional associado a variação populacional e a mudança das características herdáveis dos organismos que as compõem. Pernas nestes contexto, são originadas sim de nadadeiras de populações de vertebrados aquáticos ancestrais. As evidências moleculares, anatômicas, embriológicas e fósseis mostram isso claramente.

    Ou seja, há 395 milhões de anos, os tetrápodes –vertebrados com quatro patas– já caminhavam por aí. E com dedos, pés e mãos articulados.
    Bem, não nos é dito ou evidenciado com provas factuais ou fósseis, qual mecanismo que gerou esses dedos e mãos, mas isso já é pedir demais aos evolucionistas!

    O simples fato de não compreendermos muitos dos detalhes não negam as evidências para a transição. Porém, o pior de tudo é que você está mais uma vez errado. Sim, nos é dito: mutação, deriva e seleção (entre outros). Além do mais cada vez mais descobrimos mais coisas sobre a genética e biologia do desenvolvimento dos vertebrados e como os genes Hox e outros genes q codificam moléculas de sinalização e regulação gênica agem e assim nos revelam pistas de como mutações os modificaram nas populações ancestrais. Você ignora uma quantidade enorme de literatura em evo-devo, apenas por que não lhe é conveniente, basicamente, alegando que assim o faz por que não estão lá todas as respostas. Isso é ridículo.

    Jennifer Clack, paleontóloga da Universidade de Cambridge que não participou do estudo, disse à Folha que ele “muda as ideias sobre quando, como e sob quais circunstâncias os tetrápodes evoluíram“. Ou seja, os crentes evolucionistas pensaram uma coisa, mas as descobertas cientificas e evidências mostraram outra.

    Meu caro, é assim que funciona a ciência. Novas evidências levam os cientistas a mudarem de ideia sobre os processos, mecanismos e padrões, mas nenhuma delas refuta as evidências para o fenômeno e para o padrão geral de transição.


    Ainda assim, afirma a pesquisadora, é preciso cautela. “São marcas isoladas. Pessoalmente, acredito que algumas delas possam ter sido deixadas por animais diferentes.”

    E o que isso refuta a evolução?

    Uma declaração sensata, de quem busca honestidade pelas evidências e provas e não por fé dogmática especulativa na fantasia darwiniana.

    Clarck não põem em dúvida a evolução dos vertebrados tetrápodes a partir de vertebrados não-tetrápodes aquáticos. Elas discute apenas como certos tipos de evidências de rastros de um supostos tetrápode nos fariam rever a cronologia da evolução desta transição. Mais uma vez, você confunde as coisas. É óbvio que não temos todas as respostas sobre a evolução, mas isso não quer dizer que as evidências não deixem claro que ela ocorreu e ocorre. Além do mais, evidências experimentais mais recentes sugerem que as tais marcas podem ter sido produzidas por um peixe dipnoico ancestral e não por um tetrápode, consistentemente com o cenário atualmente defendido. Vc não consegue nem se informar direito sobre os debates internos a biologia evolutiva.

    http://scienceblogs.com/pharyngula/2010/01/09/casey-luskin-embarras

    Niedzwiedzki G, Szrek P, Narkiewicz K, Narkiewicz M, Ahlberg PE (2010) Tetrapod trackways from the early Middle Devonian period of Poland. Nature 463(7277): 43-48.

    King HM, Shubin NH, Coates MI, Hale ME. Behavioral evidence for the evolution of walking and bounding before terrestriality in sarcopterygian fishes. Proc Natl Acad Sci U S A. 2011 Dec 27;108(52):21146-51. doi: 10.1073/pnas.1118669109. http://www.pnas.org/content/108/52/21146.full.pdf

    Como não existem fósseis dos corpos dos animais, os resultados do estudo dependem da interpretação das marcas. E isso ainda está longe de ser consenso entre paleontólogos. “É muito difícil distinguir esses grupos de “peixes” dos tetrápodes primitivos mesmo com base em ossos. Imagine com pegadas“,
    Embora acredite que o trabalho ajude a desvendar a evolução desses animais, o pesquisador considera que “os dados não são assim tão conclusivos quanto acham os autores”.
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u675764.shtml

    Vc nem sabe do que está falando. Vc está ignorando todo o background por traz deste artigo de jornal. As evidências para a evolução dos vertebrados tetrápodes são muito maiores que as tais marcas. Como eu disse, isso tem a ver com a cronologia dos eventos. Viu, você nem consegue se informar minimamente e esclarecidamente sobre a questão.


    http://evolucionismo.org/profiles/blogs/uso-e-abuso-do-registro-fossil

    http://evolucionismo.org/profiles/blogs/uso-e-abuso-do-registro-fos


    Quando TESTADA cientificamente as supostas “sólidas evidências das transições macroevolutivas” falham vergonhosamente mantendo-se na vala da pseudociência.

    Errado!!!

    E não sou eu apenas que afirmo isso. Inclui-se aqui, figuras como Darwin, Gould e Dawkins em suas declarações como bem resume este link com as devidas referências.
    http://www.darwinthenandnow.com/2013/05/richard-dawkins-dumps-the-f

    Isso é Quote mining!! Estas são declarações tiradas de seu contexto e distorcidas. Estes autores não negam as evidências para a macroevolução e para as transições em questão. Por que, se este fosse o caso, você não linka ou referencia os próprios artigos originais deles. 🙂 Isso é pura desonestidade intelectual ou uma abominável ignorância e preguiça de procurar as próprias palavras (evidências, posições, argumentos etc).

    Para começar você precisa compreender o que é uma forma de transição:

    http://www.talkorigins.org/faqs/faq-transitional/part1a.html#intro

    http://evolution.berkeley.edu/evosite/lines/IAtransitional.shtml

    http://www.don-lindsay-archive.org/creation/transitional_def.html

    Continua …

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