Por que Darwin não descobriu as leis de Mendel?

por Charlotte Webber
Biomed Central

Mendel solucionou a lógica da herança em seu jardim de mosteiro sem usar mais tecnologia que Darwin usou em seu jardim em Down House. Então por que Darwin não conseguiu o mesmo? Um artigo do Journal of Biology (Howard, 2009) argumenta que o conhecimento, as influências e o foco de pesquisa de Darwin deram-lhe um ponto de vista que o impediu de interpretar as evidências ao seu redor, até mesmo em seu próprio trabalho. O compromisso de Darwin com a variação quantitativa, a matéria-prima da evolução, fez com que ele não pudesse ver a lógica da herança, argumenta Jonathan Howard da Universidade de Cologne, Alemanha.

“A variação quantitativa estava no cerne da evolução de Darwin, e a variação qualitativa é o último lugar onde a herança mendeliana pode ser vista claramente,” diz Howard. “Darwin se fechou, incapaz de ver as leis da herança na variação contínua, sem poder ver a real importância da variação descontínua onde as leis da herança podem ser discernidas.”

O padre morávio e cientista Gregor Mendel (1822 – 1884) estudou características nítidas e herdáveis em pés de ervilha, que cultivou em seus jardins do mosteiro em Brno. Mendel mostrou que a herança de características segue leis simples, que foram mais tarde batizadas com seu nome. O trabalho de Mendel foi redescoberto no começo do século XX, fundando a genética. Mendel tinha um bom conhecimento de biologia, mas sua compreensão de física, estatística e teoria da probabilidade era muito superior à de Darwin.

A visão de Darwin sobre a biologia foi grandemente influenciada pelo geólogo Charles Lyell durante a viagem do Beagle (1831-1836) e após, levando Darwin a se focar em diferenças infinitamente pequenas entre os indivíduos dando-lhes vantagens ou desvantagens infinitesimais na sobrevivência. Para Darwin, a seleção dessas variantes ao longo de centenas de milhares de gerações era o processo crítico da evolução.

O livro de Darwin ‘The Different Forms of Flowers on Plants of the Same Species’ (As Diferentes Formas das Flores em Plantas da Mesma Espécie) detalha experimentos de cruzamento envolvendo traços “unitários” bem definidos, fornecendo dados claros interpretáveis como proporções ‘mendelianas’, mas que não foram mencionados por Darwin, que insistia, por causa de sua crença de que apenas a variação quantitativa contribuía para a evolução, que as regras de herança eram complexas demais e indisponíveis para uma análise definitiva.

A herança e a variação desempenharam papéis centrais no desenvolvimento da teoria de Darwin de evolução por seleção natural. Sua visão de que a variação é causada por eventos casuais e quase físicos, fora do controle do ambiente, é muito como acreditamos hoje. Mas ele nunca se livrou da crença incorreta de que mudanças ambientalmente determinadas poderiam também ser herdadas, vítima de seu foco em características quantitativas, como altura, peso e etc., que são fortemente influenciadas por efeitos ambientais.

Este ano marca o bicentenário de aniversário de Darwin, e 150 anos desde que seu livro “A Origem das Espécies” foi publicado.

Traduzido de EurekAlert!

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4 comentários

  • ISABEL THERESA 16 de março de 2009  

    Gostei Muito de ler esse artigo, e ainda pretendo relê-lo mais algumas vezes porque comecei o ensino médio agora e vou ler “A Origem das Espécies” no próximo semestre. Sei que este artigo me será útil. Valeu aí!!!

  • Anônimo 16 de março de 2009  

    Gostei Muito de ler esse artigo, e ainda pretendo relê-lo mais algumas vezes porque comecei o ensino médio agora e vou ler “A Origem das Espécies” no próximo semestre. Sei que este artigo me será útil. Valeu aí!!!

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