Jovens dinossauros morreram juntos num atoleiro

Uma manada de dinossauros jovens similares a aves morreu nas margens lamacentas de um lago há 90 milhões de anos, de acordo com uma equipe de paleontólogos chineses e norte-americanos que fizeram uma escavação num sítio paleontológico do deserto de Gobi, Mongólia Interior. A morte repentina do grupo numa armadilha de lama permite uma imagem rara de comportamento social. Composto inteiramente por indivíduos juvenis de uma única espécie de dinossauro ornitomimídeo (Sinornithomimus dongi), o grupo indica que indivíduos imaturos arranjavam-se sozinhos enquanto os adultos se ocupavam de outros comportamentos como fazer ninhos e cuidar de filhotes.

“Não havia adultos nem filhotes recém-nascidos,” disse Paul Sereno, professor da Universidade de Chicago e explorador em residência da National Geographic. “Esses jovens estavam passeando sozinhos,” observou Tan Lin, do Departamento de Terra e Recursos da Mongólia Interior.

Dentro de um extraordinário par de esqueletos, preparados para mostra no laboratório de Sereno e transportados de avião de volta para a China no final de fevereiro, pedras estomacais e as últimas refeições dos animais estão preservadas.

Sereno, Tan e Zhao Xijin, professor da Academia Chinesa de Ciências, lideraram a expedição de 2001 em que foram encontrados os fósseis. Incluíam-se como membros da equipe também David Varricchio da Universidade do Estado de Montana (MSU), Jeffrey Wilson da Universidade de Michigan e Gabrielle Lyon do Projeto Exploração. Os achados estão publicados na edição de dezembro de 2008 da Acta Palaeontologica Polonica, e o trabalho foi financiado pela National Geographic Society e pela David and Lucile Packard Foundation.

“Achar uma manada atolada é extremamente raro entre animais vivos,” disse Varricchio, um professor assistente de paleontologia na MSU. “Os melhores exemplos são de animais com cascos,” tais como o búfalo aquático da Austrália ou os cavalos bravos do oeste dos EUA, disse.

Os primeiros ossos da manada de dinossauros foram vistos por um geólogo chinês em 1978 na base de uma pequena colina numa região desolada e ventosa do Deserto de Gobi. Cerca de 20 anos depois, uma equipe sino-japonesa desenterrou os primeiros esqueletos, batizando o dinossauro com o nome Sinornithomimus (que significa “imitador de ave chinês”).

Sereno e associados então começaram uma busca extensa, seguindo um esqueleto após o outro colina adentro. Ao todo, mais de 25 indivíduos foram encontrados na escavação do sítio paleontológico. Eles variam de um a sete anos de idade, como determinado por anéis de crescimento anual em seus ossos.

A equipe registrou meticulosamente a posição de todos os ossos e os detalhes das camadas de rocha para tentar entender como tantos animais da mesma espécie pereceram em um só lugar. Os esqueletos mostraram uma extraordinária preservação similar e estavam em sua maioria voltados para a mesma direção, sugerindo que morreram juntos e num intervalo curto.

Os detalhes forneceram evidências-chave de uma tragédia antiga. Dois dos esqueletos caíram um sobre o outro. Embora a maioria dos esqueletos estivessem num mesmo plano horizontal, suas pernas traseiras estavam atoladas fundo na lama abaixo. Apenas seus ossos do quadril foram perdidos, o que aconteceu provavelmente por conta de algum carniceiro que tirou a parte mais carnuda dos corpos pouco depois que os animais morreram.

“Esses animais tiveram uma morte lenta numa armadilha de lama, o que só serviu para atrair algum predador ou carniceiro que estivesse por perto,” disse Sereno. Geralmente o intemperismo, os carniceiros ou o deslocamento dos ossos apagam toda evidência direta da causa da morte. O sítio paleontológico fornece algumas das melhores evidências até hoje da causa da morte de algum dinossauro.

Marcas na lama ao redor dos esqueletos registraram que eles tentaram escapar. Varricchio relatou que ficou tanto empolgado quanto entristecido pelo que a escavação revelou. “Fiquei triste porque eu sabia como os animais morreram. Foi uma sensação estranha e a única vez que me senti assim numa escavação,” disse.

Além de composição e comportamento de manada, o sítio também fornece um conhecimento enciclopédico sobre até os menores ossos do crânio e do esqueleto. “Nós sabemos até o tamanho do globo ocular,” disse Sereno. “O Sinornithomimus está destinado a se tornar um dos dinossauros que melhor se compreende no mundo.”

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Clique aqui para ver um vídeo de Paul Sereno falando sobre sua pesquisa. (Em inglês. Formato de Quicktime Player.)

O artigo científico está publicado em Acta Palaeontologica Polonica e disponível em http://www.app.pan.pl/article/item/app53-567.html.

Para mais informações sobre os membros da equipe e sobre a expedição acesse http://www.projectexploration.org/mongolia.

Traduzido de EurekAlert!.

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