Há exatamente 150 anos, neste dia…

Há 150 anos, no dia 24 de novembro de 1859 (uma quinta-feira), pouco mais de mil livros foram postos à venda em Londres, pelo preço de 15 xelins cada. Era lançada a obra que revolucionou mais uma vez a visão do ser humano sobre seu lugar na natureza, comparável a obras como “De Revolutionibus” (1543) de Nicolau Copérnico e o “Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo” (1632) de Galileu Galilei.

Trata-se do livro “Sobre a origem das espécies pela seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida”, apelidado de “Origem das Espécies”, de Charles Darwin. Esta primeira edição é considerada o estado mais puro das ideias do naturalista. Edições posteriores são vistas hoje como leves passos de prudência de Darwin frente às críticas, acabando por acrescentar à obra mais elementos ditos “lamarckistas”, que à época eram mais persuasivos. A segunda edição saiu menos de dois meses depois, curiosamente tendo acrescentada em sua frase final a expressão “pelo Criador”, que não estava na primeira edição.

A introdução da primeira edição pode ser lida em português neste link (tradução de Vítor Guerreiro).

No dia seguinte à publicação, Darwin escreveu a seguinte carta ao geólogo Charles Lyell:

25 de novembro de 1859

Meu caro Lyell

Recebi sua carta do dia 24 de novembro. É inútil tentar agracedecê-lo; sua gentileza está além de agradecimentos. Eu certamente retirarei a Baleia & o Urso.

Sobre os cruzamentos dos faisões, inseri uma frase: em meu manuscrito completo trabalhei com o caso longamente. O faisão japonês & o inglês são completamente dissimilares, & os outros dois podem ser considerados próximos porém espécies distintas. Não há dúvida sobre sua mistura; mas se as aves híbridas seriam férteis entre si eu não pude descobrir. Em distritos inteiros acho que nosso faisão inglês P. colchicus foi certamente modificado pelo cruzamento com P. torquatus.

Mas como meu manuscrito ficou em casa temo que não posso acrescentar nada, mesmo se tivesse tempo. O mesmo para os instintos equivocados. Gostaria de contar-lhe sobre um engano engraçado no instinto de uma formiga da madeira, que descobri no último verão. (Não, a história é longa demais).

A edição tinha 1250 cópias. Quando eu estava animado, algumas vezes imaginei que meu livro teria sucesso; mas nem mesmo construí um castelo-de-areia de tal sucesso que o livro alcançou; não me refiro à venda, mas ao impacto que o livro teve sobre você (que eu sempre vi como um árbitro principal) & sobre Hooker & Huxley. Tudo excedeu infinitamente minhas esperanças mais desenfreadas.

Passe bem. — Estou cansado de tanto examinar as páginas. — Passe bem, meu caro amigo.

Seu,

C. Darwin.

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5 comentários

  • O meu exemplar fica sempre bem guardado na estante. Obviamente não é a primeira edição, mas não deixa de ser um dos melhores livros que alguém pode ter.

  • Anônimo 25 de novembro de 2009  

    O meu exemplar fica sempre bem guardado na estante. Obviamente não é a primeira edição, mas não deixa de ser um dos melhores livros que alguém pode ter.

  • Anônimo 14 de junho de 2012  

    Rodrigo, esta mensagem lembrou-me aquele velho dito popular : ¨ O pior cego é aquele que não quer ver ! ¨. Acho que não preciso dizer mais nada. Parabéns e abraços.

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