DARWINÍSSIMO!!

Juntar, colar, quebrar, dispersar, levantar, afundar, uma vez, duas vezes, três vezes… . A edição especial número 20 da Scientific Americam- Brasil certamente não passaria desapercebida de um hipotético Charles Darwin ainda vivo no início deste século. Publicada sob o título ¨As Formas Mutantes da Terra¨ e com uma magnífica ilustração de capa, temos diante de nós um esplêndido exemplo de rupturas radicais relativamente a certas visões de mundo de éras pré-científicas, rupturas estas adquiridas não por disposições de natureza arbitrária em nossos modos de pensar mas, antes, pelo testemunho implacável dos fatos. É digno de nota aqui a naturalidade com que os pesquizadores enfrentam, após Wegener, fenômenos que estão muito longe daquilo que se costuma chamar de ¨senso comum¨, visando uma reconstrução, tão exata quanto possível, da história geofísica e climática da Terra desde a sua formação há 4,6 bilhões de anos atrás até o seu estado atual. É claro que esses assuntos são de extrema relevância para a ¨Teoria¨da Evolução, em particular para a questão da ¨origem¨da vida e, principalmente, o da Origem das Espécies. Farei a seguir um rápido resumo de alguns artigos com alguns breves comentários.
I) O primeiro deles, assinado por Claude J. Allègre ( Instituto Geofísico de Paris) e Stephen H. Schneider ( Stanford University) entitulado ¨A Intricada Evolução da Terra¨ traça uma visão panorâmica e geral da história da Terra desde os seus primórdios até os dias atuais. Destaque para o gráfico ¨Sobe Oxigênio, desce CO-2¨, mostrando a evolução das concentrações relativas de água, metano, amônia, nitrogênio, dióxido de carbono e oxigênio em um período de mais de 4 bilhões de anos.( ! )
II) A seguir vem ¨A Terra Muito Antes de Pangéia¨ escrito por Ian W. D. Dalziel, geofísico da Universidade de Texas, Austin. Entre outros assuntos êle afirma : ¨O continente da América do Norte pode ser mais nômade que a maioria de seus habitantes¨ Destaque para o quadro ¨Continente Nômade¨ que ilustra a ¨viagem¨ da América do Norte pelo globo terrestre desde há 750 milhões de anos atrás até os tempos de Pangéa, há 270 milhões de anos.
III) Em ¨O Poderoso Evento do Cretácio Médio¨, Roger L. Larson, oceanógrafo da Universidade da Califórnia afirma : ¨Minha terra natal, em Iowa, estava no fundo do oceano no Cretácio Médio¨.
IV) Meus dois últimos destaques vão para ¨A Complexa Evolução da Crosta Continental¨ por S. Ross Taylor( Universidade Nacional da Austrália) e Scott M. McLennan( Stony Brook University) que aborda os movimentos horizontais das placas tectônicas, e para ¨Processos que Esculpem a Terra¨, escrito por Michael Gurnis, geofísico do Caltech. Este afirma : ¨Poderosos movimentos nas profundesas do planeta não só empurram os fragmentos da crosta rochosa horizontalmente, mas elevam e afundam continentes inteiros¨(!)
E assim por diante. Os demais assuntos? Vejamos: Variações periódicas no campo geomagnético da Terra, formação de montanhas, imagens do assoalho oceânico, mega-tsunames, etc.., todos esses temas salpicados e temperados com frases do tipo ¨…..quando a Itália foi transferida da África para a Europa…..¨ (DARWINÍSSIMO !!! ) , ou ainda ¨….. o continente australiano está afundando a uma taxa de ……¨,etc,etc…
Bem , como frisei no início, eu não tenho a menor dúvida em sugerir, embora com um certo atraso, reconheço, que se faça a leitura de todos esses estudos devido à sua relevância para a Teoria da Evolução e, principalmente, para as questões relacionadas com o que se costuma chamar de ¨Macroevolução¨.

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