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Resenha: "Como derrotar o evolucionismo", de Phillip E. Johnson


RESENHA DO LIVRO "COMO DERROTAR O EVOLUCIONISMO COM MENTES ABERTAS", DE PHILLIP E. JOHNSON




POR ROBERT T. PENNOCK - DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA, UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MICHIGAN




NATIONAL CENTER FOR SCIENCE EDUCATION (NCSE), EUA




Quem leu os livros "Darwin no banco dos réus" (original de 1991) e "Reason in the Balance" (1995), de Phillip E. Johnson, vai reconhecer imediatamente seu argumento e sua retórica no último livro. Johnson, denovo, apresenta a explosão do Cambriano e outras características do registro fóssil que ele diz que os biólogos não podem explicar, mas ele se opõe à teoria evolutiva primariamente através de um ataque ao naturalismo científico. Ele discursa sobre a necessidade de proteger os jovens contra a "doutrinação" (p. 10) pelas mãos dos "naturalistas dominantes" (p. 22) que fazem os estudantes memorizarem a "doutrina naturalista" (p. 34). Ele continua insinuando que há uma conspiração de elites darwinianas ateias que controlam as ondas de rádio - "os donos dos microfones da mídia [que] decidem quem é mocinho e quem é vilão" (p. 33).



Embora seus argumentos contra a evolução sejam largamente filosóficos em vez de científicos, ele ignora a maior parte da história da filosofia, e ainda insiste persistentemente, por exemplo, que aceitar Deus como um fundamento sobrenatural é a única maneira de evitar o relativismo tanto no conhecimento quanto na moralidade. Quando "declaramos nossa independência de Deus" (nos anos 60, é claro, logo após o centenário da obra de Darwin em 1959), perdíamos o pressuposto de que "a lei foi baseada num conjunto de princípios morais que vieram em última instância da Bíblia", e isto, opina Johnson, resultou primeiro no advento do divórcio, depois na revolução sexual, na revolução feminista, e inevitavelmente no direito ao aborto e na liberação homossexual (pp. 103-4). Esses temas, e também as notas caracteristicamente estridentes de Johnson, agora já ficaram cansativamente familiares. Há, entretanto, alguns poucos desenvolvimentos interessantes no livro.


A novidade mais significativa no ataque de Johnson à evolução é que, pela primeira vez, ele se expõe explicitamente contra a tese da ancestralidade comum. Em muitos textos anteriores Johnson ignorou alegremente o significado básico de evolução que os livros-texto trazem, e usou sua própria definição idiossincrática que não mencionava nada sobre descendência com modificação [expressão original usada por Darwin no lugar da palavra evolução]. Suspeitava-se sempre que Johnson fosse um criacionista mais tradicional do que se mostrava, mas ele se recusava a ser específico e restringia suas objeções ao mecanismo darwiniano (que ele chamou de "tese do relojoeiro cego") e à pretensa "filosofia dogmática" do naturalismo que ele alegou ser parte de sua definição.


 


O autor promoveu o "design inteligente" como a alternativa correta, mas se recusou a dizer qualquer coisa sobre essa "teoria" além da alegação vaga de que o planejamento intencional de Deus era a explicação verdadeira para a complexidade biológica, deixando aberta a possibilidade de Deus não ter criado os tipos biológicos ex nihilo, mas guiando o processo de descendência. Entretanto, como alegou anteriormente que o mecanismo darwiniano era uma doutrina falsa apoiada no naturalismo, ele agora diz o mesmo sobre a descendência com modificação: "Deixando de lado o materialismo", conclui, "a tese da ancestralidade comum é tão dúbia quanto o mecanismo darwiniano" (p. 95). Talvez num livro futuro ele finalmente nos dirá o que a teoria do design inteligente tem a dizer sobre a estratigrafia e o Dilúvio de Noé.


Uma segunda novidade significativa aqui é uma indicação de como os teóricos do "design inteligente" esperam atualizar o velho argumento criacionista do conteúdo de informação das moléculas biológicas. Johnson sugere (incorretamente) que informação é um conceito radicalmente antimaterialista. Alega que a informação é primária e anterior ao material, notando que o evangelho de João diz que "no princípio era o Verbo", não a matéria. Esta é uma ideia assumidamente interpretativa e, dada a real importância de questões sobre a teoria da informação em biologia, podemos esperar que os criacionistas se safem desta. Johnson introduziu sua ideia num artigo de 1996 na revista Biology and Philosophy, garimpando algumas frases do biólogo George C. Williams quando este discutia (de maneira bastante informal, eu diria) sobre informação biológica. Williams havia dito que a informação não era "realidade objetiva física" e era um "domínio mais ou menos incomensurável" em relação à matéria, e Johnson propôs que este era um reconhecimento de um dualismo ontológico de matéria e informação, e que portanto matéria nunca poderia explicar a origem da informação.


 


Williams e Richard Dawkins escreveram réplicas enérgicas e contundentes, mas no livro "Como derrotar o evolucionismo" Johnson simplifica demais as objeções. Ele admite que é fácil explicar a origem da informação se seu conteúdo é pequeno, mas alega que não há como explicar de forma natural a "informação altamente especificada" de organismos complexos. Não se surpreenda se esta for a próxima empreitada dos novos criacionistas pelo design inteligente. Quando acontecer, observe a petição de princípio sutil em palavras como "especificada", que levam a pensar em um "agente inteligente" (um especificador), em que "especificado" ficaria mais preciso.


 


Na próxima vez que Johnson disser que "o Verbo (informação) não é redutível à matéria, e até mesmo precede a matéria" (p. 71), não se esqueça de perguntar por um exemplo de informação que seja anterior à matéria (ou a qualquer entidade física) - ele não terá o exemplo porque a informação é uma propriedade relacional que não pode existir numa forma "desencarnada". E não se deixe ignorar por alegações fáceis sobre irredutibilidade, pois este é um conceito filosófico difícil e controverso. Enquanto é verdade que, num sentido simples de redução, a informação não é redutível à matéria (isto é, a mesma informação pode aparecer num número de formas materiais diferentes), este não é um sentido de redução que levaria a qualquer forma de dualismo fantasmagórico ou necessariamente precisaria de um autor inteligente.


 


Uma mudança menos substanciosa mas talvez mais importante neste novo livro é a troca explícita do público-alvo de Johnson. Numa entrevista em 1993, Jonhson havia dito que ele não estava interessado em discutir como o debate sobre o criacionismo deveria ser conduzido nas escolas. "[O] sistema das escolas públicas não é minha praia", explicou, "não é onde quero discutir. É nas universidades e na comunidade científica que eu realmente começo a debater" (Barbero 1993). Agora Johnson está preparado para mudar de cena e escreve que o objetivo deste novo livro é dar "uma boa educação de nível médio sobre como pensar sobre a evolução" (p. 11). Seu público-alvo consiste nos "adolescentes - jovens do ensino médio ou iniciando o curso de graduação" (p. 9) e seus pais e professores. Ele até nos conta como projetaria um currículo em evolução para esses estudantes. Aparentemente, Johnson agora quer que a questão seja articulada nas escolas, pois ele diz que o currículo de biologia deveria ser construído em torno de princípios de pensamento crítico. Ele quer virar o jogo sobre os céticos científicos e fazer com que os estudantes treinem o que Carl Sagan chamou de detector de mentiras sobre a teoria evolutiva. [O autor da resenha se refere ao capítulo "A arte refinada de detectar mentiras", do livro "O mundo assombrado pelos demônios".]


 


Johnson passeia pela lista de Sagan para detecção de apelos falaciosos à autoridade, uso seletivo de evidência, petição de princípio, argumentos ad hominem, e etc., mas ilustrando-os com formas que ele alega que os biólogos evolutivos têm de esconder as mentiras/bobagens. Por exemplo, ele diz que os estudantes deveriam ser ensinados a buscar a "estratégia" dos evolucionistas de começar falando do que chamam de "o fato" da evolução e então subrepticiamente inflá-lo para incluir o mecanismo. (Gould e alguns outros biólogos evolutivos falam sobre a descendência comum com modifcação como "o fato" da evolução para distingui-la da "teoria" do(s) mecanismo(s) pelos quais ela aconteceu. Na seção sobre o currículo Johnson define [a descendência comum] enganosamente e a ignora como sendo apenas um ponto incontroverso quando "organismos têm certas similaridades como o código genético do DNA, e são agrupados em padrões" [p. 58], embora a use mais tarde no sentido de Gould para se referir à descendência comum quando ele [Johnson] rejeita essa tese [p. 94].)


 


Incrivelmente, Johnson alega que esta distinção importante entre produto e processo é "apenas um artifício de debate" (p. 59) para esconder problemas com o mecanismo darwiniano. Ele alerta aos professores que se eles quiserem tentar ensinar sobre a "escamoteação" evolutiva eles podem ter problemas em não chamar a atenção dos "assim chamados advogados de liberdades civis" (p. 116) e oferece seus serviços e os de seus colegas para ajudá-los. Ele sugere que os professores acessem o sítio eletrônico "Access Research Network" (www.arn.org), que se tornou a loja outlet para o criacionismo do "design inteligente", onde seus materiais serão postados.


 


Devemos aplaudir o convite de Johnson para ensinar o pensamento crítico, mas seu programa de sete passos para aplicá-lo ao currículo de biologia é ridículo. Imagine sugerir que o jeito certo de ensinar geologia é dizendo aos estudantes que o assunto é pouco mais que "dogma filosófico" e que os geólogos são "enganadores" que intencionalmente "fogem das perguntas difíceis" e que devem ser "vistos com suspeita". Ensinar uma disciplina acadêmica desta maneira seria intelectualmente irresponsável e moralmente repreensível. Mesmo pais que são criacionistas e gostariam de ver esta abordagem crítica da evolução nas escolas podem ficar não muito felizes de ouvir que Johnson também recomenda que os estudantes aprendam na aula de biologia a usar seus detectores de mentiras em suas próprias crenças religiosas. Ele argumenta que acreditar em Deus apenas pela fé em vez da razão é um "erro" ou uma "estratégia de defesa racional nascida do desespero" (p. 20), e que os estudantes devem confrontar os problemas teológicos que resultam de aceitar a evolução.


 


Acredite ou não, o pensamento crítico sobre tais assuntos teológicos também está em um ou outro dos sete passos que Johnson incluiria em seu currículo de biologia. Johnson quer colocar toda a culpa no naturalismo científico, mas este não é mais ou menos um "pressuposto" de qualquer outra ciência teórica ou aplicada do que é do darwinismo; se o currículo de Johnson é justificado para aulas de biologia, então por que ele não recomenda consistentemente que ele seja aplicado igualmente na aula de física ou na prática de mecânica?


 


Johnson diz aos estudantes do ensino médio que eles precisam "aprender a usar os termos precisa e consistentemente" (p. 57), mas que os biólogos são intencionalmente escorregadios em seu uso do termo evolução, de forma que quando o ouvirem "seus ponteiros no detector de mentiras devem apontar para 'alerta de escamoteação'" (p. 116). Estudantes que leiam este livro vão ganhar muito apontando seus detectores de mentiras sobre ele, pois o uso que Johnson faz da terminologia não é exemplo das virtudes que ele acertadamente prega. Além do desleixo terminológico apontado acima, descobre-se que Johnson é similarmente desleixado com outros conceitos evolutivos quando é para sua própria vantagem. Um exemplo é o que ele chama de "erro de Berra".


 


Em "Evolução e o mito do criacionismo" (1990), o zoólogo Tim Berra ilustrou uma ideia sobre a natureza de uma sequência evolutiva usando uma série de fotografias que mostram o desenvolvimento do [Chevrolet] Corvette ao longo de várias décadas. Johnson diz que Berra errou porque "[A] sequência do Corvette... não ilustra de forma alguma a evolução naturalista. Ela ilustra como projetistas inteligentes tipicamente atingirão seus propósitos adicionando variações ao plano básico do projeto" (p. 63). Mas é Johnson quem está sendo enganosamente ambíguo aqui, pois Berra nunca alegou que este era um exemplo de seleção natural, mas diz explicitamente que é uma ilustração de um tipo de descendência com modificação. Ele usa o exemplo para ilustrar como pequenas mudanças, onde o parentesco de formas intermediárias é facilmente reconhecível, podem se acumular em diferenças tais que o produto final é quase irreconhecivelmente diferente do ponto de partida. Para este propósito o exemplo do Corvette, usando seleção artificial em vez de seleção natural, funciona perfeitamente bem.


 


Além disso, é uma ilustração importantíssima e básica com um exemplo familiar, já que muitos criacionistas continuam a se agarrar à imutabilidade das espécies e insistem que a seleção cumulativa de pequenas variações numa espécie (microevolução) não pode se acumular para formar espécies novas a partir de espécies antigas (macroevolução). Jonhson enganosamente define a microevolução como "variação cíclica dentro do tipo" (p. 57) de forma que ela pareça se encaixar na ideia criacionista do fixismo dos tipos. Johnson alega que essas pequenas mudanças não podem se acumular formando novas espécies a partir de outras (macroevolução); e o exemplo familiar [do Corvette] serviu para ilustrar o contrário. Logo, é Johnson, não Berra, quem cometeu um erro. Além disso, devemos mesmo levar a sério a sugestão implícita sobre descobrir os propósitos divinos do projetista numa analogia com os projetistas de carros? Se é assim, o que deveríamos concluir sobre os propósitos de Deus para os seres humanos, chimpanzés, gorilas e os vários hominídeos fósseis dado que todos não passam de variações no "plano básico" primata? Parece que o Homo sapiens é apenas a última versão numa linha de montagem de modelos que falharam na maior parte.


 


A imprecisão e inconsistência de Johnson são ainda mais pronunciadas quando se trata dos conceitos filosóficos sobre os quais trabalha tanto. Por exemplo, sem levar em conta a distinção básica entre naturalismo ontológico e naturalismo metodológico, Johnson continua a falar genericamente do "naturalismo" como uma metafísica dogmática (veja Pennock 1996). A evidência que ele apresenta de que os biólogos estão comprometidos com o posição ontológica de que Deus não existe e que a natureza "é tudo o que há" vem da Declaração de Posicionamento da Associação Nacional Americana de Professores de Biologia (NABT) em 1995, que disse que a evolução era um processo "sem supervisão" e "impessoal". O fato de a NABT ter retirado recentemente esses dois termos de sua declaração para permanecer apropriadamente agnóstica sobre o papel de Deus [na evolução] (como requer o naturalismo metodológico [das ciências]) repudia a acusação de Johnson.


 


Ao compor a tergiversação acima, Johnson também confunde o naturalismo científico com o materialismo. O materialismo mecanicista se tornou a ontologia naturalista dominante no século XVII, mas o naturalismo científico permite outras categorias explanatórias do ser, contanto que não violem as leis naturais. De fato, é mais comum na filosofia da ciência hoje falar em fisicalismo em vez de materialismo, de forma a não enfatizar exageradamente a matéria sobre o espaço-tempo, forças, campos e outras categorias básicas que foram adicionadas à física ao longo dos séculos, e de forma a não fazer petições de princípio definitivas sobre a metafísica.


 


Johnson corrige (temporariamente) um erro filosófico sério que cometeu no livro "Reason in the Balance". Nele seu alvo principal foi o "modernismo", mas ele descreveu incorretamente os modernistas como relativistas éticos e epistêmicos, e atribuiu ao modernismo características que na verdade pertencem ao "pós-modernismo". Em Como derrotar o evolucionismo ele se sai melhor, escrevendo que "os modernistas acreditam numa racionalidade universal fundada na ciência; pós-modernistas acreditam numa miríade de racionalidades diferentes e consideram a ciência como apenas um dos modos de interpretar o mundo. Em outras palavras, mordenistas são racionalistas; pós-modernistas são relativistas" (p. 90). Mas depois de admitir essa diferença ele volta a misturar as duas coisas e critica o modernismo genericamente como a "religião estabelecida" subjetivista do ocidente (p. 97).


 


Interessantemente, a própria opinião de Johnson é claramente pós-modernista em vários de seus elementos centrais. Seus escritos estão eivados de linguagem pós-moderna sobre a "construção" do conhecimento por aqueles que estão no "establishment" e estão agindo para proteger seu "poder e riqueza" através da "doutrinação" das massas com uma "ideologia" opressiva. Não fiquei surpreso ao saber recentemente que o título original que Johnson tinha para "Darwin no banco dos réus" era "Darwinismo desconstruído". Como os filósofos pós-modernos, Johnson parece pensar que o que é chamado de conhecimento nada mais é que narrativas culturais em voga sustentadas pela elite dominante. Um exemplo desta opinião em Como derrotar o evolucionismo é a ênfase que ele dá à peça teatral "O vento será tua herança" [ou "O Julgamento do Macaco"] - uma ficcionalização do julgamento de Scopes, que ele chama de uma "obra-prima da propaganda" (p. 25). Tecendo sua própria obra-prima da descontrução, Johnson tenta argumentar que a peça na verdade atinge seu efeito por empréstimo aos evangelhos e essencialmente por dar a Bert Cates (o personagem que representa o professor de biologia Scopes [condenado no Tennessee por ensinar evolução em 1925]) o papel moral de Jesus.


 


Bem, talvez, mas o que isso tem a ver com saber se a evidência científica nos diz ou não que a evolução é verdadeira? A resposta, é claro, é que, embora Johnson seja como os pós-modernistas em opor-se aos métodos científicos como tendo qualquer mérito especial para descobrir verdades sobre o mundo empírico, ele é na verdade um pré-modernista ao defender (embora nunca admitindo sem rodeios) que a única garantia de verdade é a Palavra de Deus. Johnson quer derrotar o evolucionismo "com mente aberta" para as possibilidades sobrenaturais dos modos que ele sugere e ignorar os critérios usuais de evidência. Como um antídoto para o chamado pós-modernista de Johnson para jogar fora desatentamente os métodos científicos, convém lembrar a recomendação sábia do filósofo Bertrand Russell - é bom manter a mente aberta, mas não tão aberta ao ponto do cérebro escapulir.


__________


*As páginas referenciadas no texto referem-se à edição original em inglês.


Resenha traduzida de Pennock, RT. Reports of the National Center for Science Education, 1997; 17(6): 36-38.


REFERÊNCIAS


Barbero Y. Interview With Phillip E Johnson. California Committees of Correspondence Newsletter 1993.


Berm T. Evolution and the Myth of Creationism. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1990.


Pennock RT. Naturalism, evidence and creationism: The Case of Phillip Johnson. Biology & Philosophy 1996; 11(4): 561.


LIVRO RESENHADO


Phillip E. Johnson . Como derrotar o evolucionismo com mentes abertas. Editora Cultura Cristã, 2000.


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N. do T.: Este livro lamentavelmente está sendo recomendado para o ensino médio nas escolas confessionais adventistas.

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Comentário de Andre Bruinje em 24 novembro 2010 às 17:27
OBRIGADO..
..por poupar no mínimo algumas horas de leitura talvez um pouco indignante e transformá-las em 20 minutos!
Parabens pelo texto e pelo blog. Não conhecia, mas gostei. Vou seguir!
Um abraço

Andre Bruinje
Comentário de Rodrigo Véras em 16 novembro 2010 às 14:36
Só por uma questão de atualização, Pennock, hoje em dia está na Michigan State Univesity e não mais na Texas University. Segue a página com dele na MSU, https://www.msu.edu/~pennock5/
Comentário de Eli Vieira em 26 setembro 2010 às 20:36
Eu não poderia encerrar meu comentário sem recomendar referências em história da ciência e história da filosofia.

Eis as minhas:

- Gribbin, John. Science: A History. Penguin, 2002.

- Russell, Bertrand. A History of Western Philosophy. Routledge, 2004.
Comentário de Eli Vieira em 26 setembro 2010 às 20:30
Luiz Sergio e Rodrigo, obrigado pelos comentários. Antes de mais nada, reconheço que estou em dívida com vocês quanto a ler e comentar suas publicações aqui no Evolucionismo. Meus comentários virão assim que eu estiver com mais tempo.

Luiz Sergio,

é difícil adotar uma posição saudável e laica na aula de biologia quando se está usando um livro de Phillip E. Johnson como guia, como pretendem alguns adventistas, justamente por esta miscelânea inconsistente entre filosofia e ciência.

É fato que muitos cientistas são metafisicamente comprometidos com o naturalismo ontológico (materialismo, fisicalismo). Mas se Johnson e outros querem afirmar que a teoria da evolução é um resultado deste compromisso metafísico, TÊM DE FORNECER EVIDÊNCIAS DISSO.

O caso é que as evidências apontam o contrário: o filósofo Paulo Abrantes, na edição especial da revista Ciência Hoje de comemoração aos 200 anos de Darwin, mostrou com evidências históricas que Darwin jamais foi um materialista/naturalista/fisicalista ontológico.

ABRANTES, P. . Darwin foi um materialista?. Ciência Hoje, v. 44, p. 50-55, 2009.

A notória falta de habilidade ou treinamento acadêmico da esmagadora maioria dos criacionistas fica patente neste tipo de alegação para a qual não movem um músculo para amparar com evidência.

O outro ponto é bem mais simples - como substituir o naturalismo metodológico das ciências?

Quando estou, por exemplo, alinhando sequências de um receptor de serotonina de 25 espécies de mamíferos, onde exatamente assumir que estes mamíferos foram criados por uma entidade sobrenatural me ajudará a tirar conclusões ou entender melhor sobre o receptor ou sobre as espécies?

Pressupostos sobrenaturais não ajudam a pesquisa científica. É por isso que os criacionistas adeptos ou não do design inteligente jamais apresentaram um único trabalho empírico. É por isso, inclusive, que os currículos dos ditos cientistas criacionistas são completamente desprovidos de quaisquer menções ao criacionismo (basta olhar na plataforma Lattes).

Essa balbúrdia filosófica de Phillip E. Johnson de atacar o naturalismo metodológico necessário às ciências, como se fosse naturalismo ontológico, fere não apenas a pesquisa científica mas também a independência da religião em relação à ciência.

Phillip E. Johson e outros fundamentalistas apenas estão conseguindo prestar um desserviço à religião com seus ataques à ciência, que são, como o Rodrigo falou, castelinhos de cartas feitos com a cola da retórica.

É diplomaticamente útil tanto às ciências quanto às religiões adotar a posição de Stephen Jay Gould, de separação de magistérios. Infelizmente tem gente tentando travestir religião de ciência e gente travestindo ciência como religião.

Pior ainda, tem gente como Johnson que pega questões morais, questões de conhecimento, jogam no liquidificador, adicionam a pimenta do tribalismo competitivo (como você notou sobre o uso do termo "derrota") e ainda querem que todos nós engulamos este produto gastronômico de gosto duvidoso.

Francamente, se tem uma lição que tiramos disso é que tem gente precisando estudar filosofia e ciência, e as histórias de ambas, antes de se prestar a escrever livros e ainda recomendar estes livros a estudantes do ensino médio.

Grande abraço,
Eli
Comentário de LUIZ SERGIO DADARIO em 25 setembro 2010 às 14:36
Tudo bem, usemos então a razão. Acesso na Internet as estimativas de mortes causadas pelo vírus Influenza A H1N1 entre 1918 e 1919 ( gripe espanhola ) e encontro um número estimado entre 50 e 100 milhões de vítimas. Concluo então que a imunologia falhou. E se a imunologia falhou estou diante de um claro exemplo de ERRO DE PROJETO . A seguir uso meu ¨Detector de Mentiras¨ para refutar a idéia de um deus benevolente. Placas tectônicas colidentes ¨decidem¨ fazer um rearranjo de suas disposições recíprocas para ¨aliviar¨as tensões liberando energia e provocando a morte de mais de 100 mil haitianos. Uso novamente o detector para refutar a idéia de um deus onipresente. Imagens impressionantes de incêndios em florestas no estado da Califórnia e na Austrália evidenciando a fúria reativa do oxigênio induzem naturalmente à pergunta : Isso é design inteligente ? É difícil compreender a mente de um sujeito como esse . Se , como pressupõe o autor, um ser sobrenatural ( amorfo, informação pré-mundo-material ) decidiu criar um mundo diferente dotado de matéria-energia ao qual damos o nome de Natureza caracterizada como sua grande obra, então qual é o problema para com o naturalismo científico ? Quais os critérios e modos de inferência que Johnson e muitos outros imaginam que os sêres humanos devem adotar para estabelecerem estratégias de combate à doenças infecciosas e doenças degenerativas graves ? Como procederia diante de um erro médico grave atingindo sua própria pessoa ou vitimando um ente querido de sua família ? É claro que esses tipos de questôes não seriam colocados para reflexões em um hipotético curso ¨alternativo¨ de Criacionismo. Porém, o que realmente mais me chamou a atenção foi o próprio título do livro, mais especificamente o verbo ¨derrotar¨. As palavras ¨vitória¨e ¨derrota¨ sempre me pareceram fazer parte do universo mental característico do leigo religioso, seja ele manifesto em nossos contactos no meio ambiente imediato do dia-a-dia ou através do testemunho da história. É relativamente fácil entender o porque disso quando se tem a Evolução como guia para nossos raciocínios. Mas este é um tema para outra ocasião. De qualquer forma, reservo minhas esperanças ao futuro quando nossas técnicas de investigação avançarem a tal ponto que ¨mutações¨, ¨deriva genética¨, transferência lateral de genes¨ e ¨descendência com modificações¨ ficarão tão evidentes aos olhos de todos que à Dúvida restará apenas o seu lugar de honra na história.
Comentário de Rodrigo Véras em 24 setembro 2010 às 2:10
Tradução muito oportuna, Eli. Parabéns!! Me espanta a cara de pau dos perpetradores do CDI. Eles só vivem de retórica, não tem substância nenhuma. Nem mesmo figuras como Johnson possuem o mínimo de integridade intelectual. O problema é que a retórica deles é atrativa, principalmente, para quem não tem interesse em investigar e testar seus próprios pressupostos.

Abraços,

Rodrigo

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