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Fóssil chinês obriga paleontólogos a repensar as origens das tartarugas.

por Natasha Gilbert, em Nature News.

Impressão artística de Odontochelys semitestacea, de Arthur Weasley.

A descoberta, na China, do mais antigo fóssil conhecido de tartaruga mudou radicalmente a compreensão dos paleontólogos sobre a origem e ecologia desses animais.

O fóssil de Odontochelys semitestacea foi encontrado em sedimentos depositados no vale Nanpanjiang e foi datado em 220 milhões de anos - cerca de 14 milhões de anos mais velho que os fósseis de tartaruga encontrados na Alemanha.

O achado sugere que as tartarugas evoluíram num ambiente marinho. Os fósseis mais antigos de tartaruga encontrados anteriormente eram considerados animais de terra firme, o que levou os cientistas a concluírem que as tartaguras tivessem evoluído num ambiente terrestre.

Esses répteis fósseis tinham cascos similares aos dos animais atuais, não dando muitas pistas aos paleontólogos sobre como evoluiu o exclusivo casco da tartaruga. Este espécime chinês, por sua vez, tem um plastrão plenamente desenvolvido - a parte achatada ventral do casco -, mas a carapaça, a parte dorsal, está ausente. A equipe diz que isso sugere que as duas partes do casco evoluíram em tempos diferentes, com o plastrão aparecendo primeiro - uma idéia que contradiz a hipótese prevalente de que o casco foi formado por osteodermes (depósitos ósseos) que se fundiram. As descobertas da equipe científica foram publicadas na Nature.¹

Elo perdido


Um dos autores do estudo, Chun Li, do Instituto de Paleontologia dos Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências, disse à Nature News que "[o fóssil] pode ser visto como o elo perdido da evolução das tartarugas. Descobrimos como o casco da tartaruga se formou. Ele não deriva da fusão dos osteodermes."

"É a primeira evidência fóssil que mostra que a tartaruga pode ter se originado de um ambiente aquático em vez de terrestre", diz ele.

Mas Robert Reisz e Jason Head, paleontólogos da Universidade de Toronto em Mississauga, Canadá, discordam da interpretação da equipe sobre a origem do casco². Reisz e Head propõem que a ausência da carapaça é uma adaptação à vida marinha.

"Esta é uma descoberta muito estimulante", diz Reisz, falando ao Nature Podcast.

"O artigo sugere que há uma desconexão entre a evolução de duas partes do casco. É uma idéia interessante mas nós discordamos. Porque o que você vê em tartarugas que vivem em ambientes marinhos hoje é que o casco é reduzido. Então outra interpretação do fóssil poderia ser que essa forma do fóssil chinês é na verdade uma condição especializada, de modo que esse casco pode estar na verdade no processo de redução", acrescenta.

Pista embrionária


Walter Joyce, um paleontólogo que ocupará no próximo ano um cargo na Universidade de Tübingen, Alemanha, está igualmente animado com a nova descoberta mas concorda que as questões sobre as origens do casco vão continuar.

"O espécime não responde a questão sobre se esta é uma condição basal ou não," diz ele. "Este material é inacreditável. Este espécime é uma bênção e uma desgraça porque atira tudo pelos ares de novo."

Mas outro autor desse estudo, Olivier Rieppel, do departamento de geologia do Field Museum em Chicago, Illinois, diz que a visão de que o casco está se reduzindo é errada. Ele diz que a formação do casco vista no fóssil lembra mais a formação embrionária dos cascos de tartaruga do que a dos cascos das tartarugas aquáticas existentes. Isso apóia a interpretação de sua equipe de que as duas partes do casco evoluíram separadamente, diz Rieppel.

"Se você observar as tartarugas aquáticas que vivem hoje e têm a carapaça reduzida, nenhuma se encaixa com os padrões vistos no fóssil. Nosso fóssil se parece com o padrão embrionário", acrescenta o cientista.


* Referências

1. Li, C., Wu, X.-C., Rieppel, O., Wang, L.-T. & Zhao, L.-J. Nature 456, 497–501 (2008).
2. Reisz, R. R. & Head, J. J. Nature 456, 450–451 (2008).

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