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Publicado originalmente no Jornal Folha Biológica n. 11, disponível em http://www.cursoimagem.com.br/jornal.php
Muitos livros trazem uma imagem que se tornou ícone da evolução: uma série de antropóides e hominídeos já extintos caminhando em fila, como se representassem exatamente todas as mudanças que ocorreram durante a evolução da espécie humana. Até o nome da obra reflete essa consideração que não significa que tenha acontecido dessa forma. De autoria do artista de origem russa Rudolph Zallinger, The March of Progress (A caminhada do progresso) tem sido usada para demonstrar o mecanismo pelo qual a evolução se processa.
O problema é que a obra original traz outros elementos que mostram não ser uma linha reta que traça as modificações que os grupos apresentam ao longo do tempo. Linhas do tempo representando o período em que cada uma das espécies viveu mostram que coexistiram em diversos e longos períodos.
As modificações feitas nos livros selecionam os elementos do menor para o maior, o que não se repete na gravura original, evidenciando uma "melhoria" que nunca foi defendida pelo criador da teoria, Charles Darwin.
O texto original publicado acima diz respeito ao poder retórico da imagem que, da mesma forma que a palavra escrita ou a linguagem oral, pode ser interpretada de diversas formas e pode, frequentemente, enganar até mesmo quem atua na área. Muitos professores - a maioria, provavelmente - acreditam que essa imagem represente uma "linhagem evolutiva" do ser humano atual quando, na realidade, somos todos as pontas dos ramos de uma mesma árvore filogenética.
Ivan de Carvalho santos Lima
Editor do Jornal Folha Biológica.
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Permalink Responder até Eli Vieira em 15 janeiro 2012 at 21:01
Obrigado por trazer, Ivan. Esta é uma questão muito importante, imagens são diapositivos de ensino que grudam na memória das pessoas.
Abraços.
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