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ANÁLISE DA EVOLUÇÃO COMO UMA LINHA RETA É ENGANOSA

Publicado no Jornal Folha Biológica n. 4

Disponível em http://www.cursoimagem.com.br/jornal.php

O homem não evoluiu a partir do macaco. E Charles Darwin também nunca disse isto.
Se houvesse um processo “evolutivo” que transformasse chimpanzés em homens, seria lógico encontrar-se ainda hoje macacos se transformando em homens, ou “chimpanzomens” de varias categorias.
Ocorre que homens e macacos atuais descendem de um ancestral comum, que provavelmente era parecido com um... macaco. Mas tão diferente dos macacos atuais quanto estes próprios são entre si.
Conseguimos facilmente diferenciar um gorila de um chimpanzé , ou um orangotango de um sagüi. Apenas nos achamos mais diferentes que os outros primatas. Provavelmente eles também pensem assim.

Apesar das diferenças entre as seqüências do código genético humano e do chimpanzé não ultrapassarem um centésimo do total, nos mostra que a “estrutura fundamental” é praticamente a mesma, porém adaptadas a ambientes diferentes.

Fica muito difícil definir, entre as espécies da natureza , aquelas mais “evoluídas” de outras “menos evoluídas” , quando se percebe que EVOLUIDO, como conceito, é bastante subjetivo e EVOLUÇÃO, como processo, não é retilíneo, mas ramificado, como uma árvore.
Por que se diz comumente que os animais são mais evoluídos que os vegetais? Porque aqueles se aproximam mais do “ideal”, o ser humano (quanta modéstia...).
Não somos mais ou menos evoluídos que os vegetais, apenas adaptados a ambientes diferentes, ou realizando as mesmas funções por mecanismos diferentes. Se o conceito de evolução for regido por complexidade ou eficiência, os vegetais podem então ser considerados mais evoluídos que os animais pelo menos no aspecto da nutrição.
Alem de a realizarem com uma eficiência inigualável , os vegetais são capazes de fabricar o próprio alimento, porque apresentam um aparato de substâncias químicas muito mais complexo que aquele utilizado por nós.
Torna-se preferível utilizar o termo “mais bem adaptado” a “mais evoluído” quando se quer ter noção comparativa. Assim, automaticamente somos forçados a raciocinar: mais evoluído sob que aspecto? Mais bem adaptado em relação a que?
Um fracasso em potencial

Os primatas são um fracasso como grupo quando comparados aos insetos. Estes últimos respondem por dois terços de todas as espécies de animais do planeta.
Conclusão: os insetos estão mais bem adaptados do que os seres humanos. Menor tamanho significa maior quantidade de alimento disponível. Apêndices articulados e, na maioria das vezes, asas, significam agilidade. Produzem, com freqüência, centenas ou milhares de ovos, o que significa maior produção e capacidade de disseminação.
A evolução é antes de tudo um fenômeno mágico, fascinante e misterioso, pois desafia as leis que induzem à simplicidade para aquisição de estabilidade. Quanto mais simples, mais estável.
A nossa esperança é que todos acordemos para o fato de que a evolução não ocorra apenas no plano material. É necessário atentar para a necessidade de evolução intelectual e moral, que se processam independentemente.
Haja visto no plano político aquele individuo típico que se adapta perfeitamente a diversas situações , sofre mutações com facilidade para continuar sobrevivendo no meio, mas moralmente é troglodita.
Haja visto no plano humanitário aquele individuo que mal sabe traçar linhas, mas traça pensamentos de alto valor instrutivo para a alma.
Que sensação invadirá o coração de um hipotético último representante da espécie humana quando encontrar em um canto de mata intocada uma pequena população de “chimpanzomens” morando em cavernas, mas trazendo no olhar tudo aquilo que buscamos nesses anos todos... : a felicidade...?


Publicado originalmente em "O Diário do Norte do Paraná" em novembro de 1995

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Respostas a este tópico

Tanto "evoluído" como "adaptado" são, de fato, termos problemáticos por causa dos conceitos de melhoria e progresso linear absoluto que a eles são atrelados na linguagem popular. Como bem está exposto no artigo, a menos que especifiquemos a que tipo de ambiente os organismos estariam adaptados e os critérios de avaliação previamente não faz muito sentido em tecer comparações entre grupos biológicos distintos nesses termos. Boa parte disso é um simples resultado de uma excesso de apreciação de nossa próprias habilidades e de querer reforçar nossa distinção do resto da natureza.

A evolução biológica, enquanto processo natural, pode tanto produzir organismos mais simples como mais complexos (por exemplo, adotando como critério de "complexidade" a quantidade de partes ou especialização das mesmas) que os seus ancestrais diretos desses organismos, pois é a viabilidade e o sucesso relativo dos indivíduos das populações biológicas em questão que importa, bem como,  por que a variação é essencialmente aleatória, no sentido de sua origem ser independente das necessidades dos organismos, sendo, portanto, dependente das características do sistema de replicação e reparo do DNA e dos fatores externos que influenciam as mutações, como radiação, agentes químicos genotóxicos etc.

A dependência de contexto de processos como a seleção natural precisam ser esclarecidos e processos menos divulgados como a deriva genética aleatória precisam ser melhor esclarecidos para que os leigos possam apreciar melhor o que é e o que não é evolução.

Abraços,

Rodrigo

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